inventiva adoro reticências...

O que seria de nós sem a expectativa de continuação?

Myrianne Barbosa

Lima e suas raízes pré-colombianas, um roteiro imperdível

Como me considero uma pessoa do século XXII, que se encanta com as possibilidades tecnológicas e a precisão das imagens disponíveis em rede, redigi esse texto, que me traz a memória meus primeiros “virtuais tours” – uma viagem dos sonhos ao Peru, precisamente à Lima. Fiz um tour inesquecível! Visitei a Plaza de Armas ou Plaza Mayor, onde ficam a Catedral de Lima, o Palácio do Governo e o conjunto de casarões amarelos do período colonial.


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A Catedral de Lima domina o lado leste da praça. É uma construção no estilo barroco. Tem cinco naves e dez capelas laterais. Os altares e as imagens são revestidas em ouro. Numa das capelas estão depositadas os restos mortais de Francisco Pizarro. Um quadro informativo chama a atenção: apresenta o esqueleto do mesmo, mostrando os pontos dos 16 golpes com que foi assassinado. E, diante deste quadro presumi que toda a ambição política parece fútil pois o que restou da cobiça, da audácia e da intrepidez do maior conquistador da América do Sul foi um esqueleto com 16 estocadas! E após isto conclui que este quadro deveria estar em todas as casas de políticos, para contemplarem e refletirem dia após dia.

Há ainda uma curiosa tela de fundo dourado, identificada por “Los 13 compañeros de Francisco Pizarro, los de la fama”. No centro do quadro, num mosaico prateado compondo um pergaminho, estão escritos os nomes dos 13 companheiros de fama e glória de Pizarro. A Catedral possui uma rica coleção de pinturas.

No Convento São Francisco, o Grande, predomina a cor amarela. Os sobrados ao redor da Plaza de Armas também são da cor amarela, o que dá a ideia de conjunto. A arquitetura do Convento combina várias tendências, desde o barroco, o que se percebe na fachada da Igreja; com detalhes de construções tipicamente espanholas, como os azulejos azuis originais da Sevilha; e ainda a influência árabe, o que se nota por seus pátios de colunas em forma de delgados arcos.

A enigmática Biblioteca do Convento, abarrotada de manuscritos e livros centenários que ninguém consulta ou lê, é iluminada por quatro claraboias, dispensando a iluminação elétrica. Possui duas escadas espiraladas que levam à bancadas suspensas, ao longo do comprimento de cada lado, como um segundo piso, deixando o vão central totalmente livre. É sobre esse vão que incide a luz das claraboias.

Mas, contudo, em minha opinião o mais impressionante desta “viagem” ao Convento São Francisco, o grande, são as catacumbas. Há uma escassa iluminação, somente após observar muito se podia discernir os ossos em meio ao insulamento. Os restos mortais ficam em meio a escuridão que se estende como um respeitoso véu sobre o ossário, protegendo os mortos de serem vistos a olho nu. As catacumbas reúnem os ossos de milhares de pessoas, chegando perto de 70 mil, segundo as informações do site tour. As catacumbas ficam no subterrâneo da capela do Convento. Existem crânios guardados em nichos ao longo das paredes do poço e aos montões no fundo.

As noites em Lima reúnem uma vasta programação, conforme pude absorve noutra pesquisa, desde jantares a apresentações enriquecidas de cultura, graça e beleza. Bandas tocam tambores, violões, quenas, flautas e guitarras. Casais de dançarinos em trajes típicos apresentam várias danças. O colorido dos figurinos é chamativo, os tons vermelho e dourado se destacam. Suas danças são belas, alegres e me parecem contidamente sexuais. Atores vestidos como o imperador, o Inca, talvez Atahualpa, o último imperador inca, ou Manco Capac, o primeiro. Montam em seu cavalo de pau, e saem num galope. A música é tensa, e novos atores com novas fantasias adentram palcos, vestidos de condores. O condor era adorado pelos incas por ser considerado o mediador entre o céu e a terra, o mensageiro divino entre os homens e os deuses.

Seja por seu exotismo seja por amarem suas raízes, noto que os limenhos cultivam mais raízes pré-colombianas, indígenas do que espanholas. O que já era de esperar, já que milhões de indígenas viviam na América quando a viagem de Cristovão Colombo em 1492 iniciou o período histórico de contato europeu conosco. E o império inca se localizava na atual região do Peru, Bolívia, Chile e Equador. Sua economia baseada na agricultura. Sua sociedade hierarquizada, bastante rígida e, a qual dispensava a propriedade privada, tudo pertencia ao Estado e à figura divina do Imperador. Os incas tinham um conhecimento muito avançado de arquitetura. Um exemplo disso é Machu Picchu, cidade construída a mais de 2.400 metros de altitude e que até hoje mantém suas bases preservadas, aspecto que demonstra a tamanha engenhosidade da arquitetura inca. No contexto religioso, tais povos acreditavam no deus Sol (Inti), contudo também consideravam alguns animais como sagrados.

Dizem que os incas queriam o ouro apenas para com ele venerar o deus Sol, Inti, enquanto os espanhóis o queriam por que o amavam em si mesmo. Isso Atahualpa não compreendia. Tantas constatações em um tour virtual, mas não menos real... Esta viagem, na humilde compreensão desta relatora, chegou perto daqueles momentos inesquecíveis em que se tem vontade de eternizar.


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