Thais Prado

"A Origem" e o mistério dos sonhos

Quando dormimos nosso cérebro é capaz de ficar mais ativo do que quando acordados. Imagine explorar sua capacidade mental mais do que você se acha capaz. É por isso que as vezes, sonhos parecem somente momentos desconexos e sem significado. Mas, quantas vezes você estava dentro de um sonho vivendo sua própria realidade, consegue se lembrar? Quantas vezes você estava acordado, mas sentia-se como se estivesse sonhando? Não é incrível que mesmo depois de fechar os olhos e se desligar do mundo externo, você continue ligado?


Às vezes, ao acordamos de um sonho, temos a sensação de que aquilo parecia realmente estar acontecendo. Mas, você sabia que o seu cérebro nunca dorme? Ele não sabe distinguir o que é real do que é sonho e por isso, algumas vezes, parece mesmo que estávamos galopando com unicórnios ou correndo de um inimigo invisível. Numa explicação médica dada pelo doutor Drauzio Varella, as ondas cerebrais provocadas pelo sonho, são bem semelhantes às dos momentos acordados.

Sempre associamos o ato de sonhar como algo lúdico. Mas, quando fechamos os olhos e entramos no estado de sono profundo, estamos livres. Nosso subconsciente que é diretamente ligado as emoções, pode fazer o que quiser. Quando estamos no estágio profundo do sono, nossa atividade cerebral é intensa enquanto a motora é mínima. Isso porque, no exato instante em que começamos a sonhar, o tronco cerebral é desligado para impedir que os neurônios acionem estímulos motores. Difícil né? Mas na verdade é bem simples, ao começar o processo do sonho, nosso cérebro desliga as células que chamamos de neurônios e que são responsáveis pelo movimento. Ao desliga-las, nossos estímulos motores também são desligados. É por isso que ao estarmos em um sonho intenso que envolva luta ou algo assim, não desferimos socos em quem está ao nosso lado.

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Seguindo esse conceito, encontramos no cinema o filme de ficção científica, A Origem. Em um mundo onde é totalmente possível acessar a mente humana - contando que se saiba as técnicas certas, Cobb (Leonardo DiCaprio) é mestre em roubar segredos que se escondem no subconsciente das pessoas, fazendo isso durante o sono. Esse processo é possível porque, como é explicado pelo personagem Arthur (Joseph Gordon-Levitt): no estado de sonho, as defesas conscientes estão mais baixas. Isso deixa os pensamentos vulneráveis ao roubo (extração). Com o decorrer da história somos apresentados à melancolia de Cobb e sua dificuldade em superar a morte da mulher. O filme nos mostra o quanto um arrependimento pode nos manter presos a certo momentos. Nos sonhos, Cobb não consegue e não quer se livrar da memória e da culpa que sente pela sua mulher. De uma forma também científica, podemos explicar como os acontecimentos externos influenciam em nosso sono e sonho. É certo de que, quando você está tranquilo e calmo, sua noite de sono é melhor. Quando você sofre algum trauma, algum estresse que o faz se sentir mal você pode introduzir esse mal em seus sonhos o convertendo no que chamamos de pesadelo. Acordamos assustados de alguns pesadelos por que o nosso sistema nervoso sofre certo nível de ativação causando a alteração do nosso estado de sono, assim nos fazendo despertar.

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O sonho sempre foi um mistério que me instiga. Quando assisti ao filme A Origem, fiquei completamente extasiada. Um filme incrível que o leva a pensar sobre como nossa mente é poderosa e como nós não temos ideia de tamanho poder. Podemos sim ficar presos em sonhos. Podemos sim viver uma vida longe da realidade, isso não é ficção, existe. Quando dormimos nosso cérebro é capaz de ficar mais ativo do que quando acordados. Imagine explorar sua capacidade mental mais do que você se acha capaz. É por isso que as vezes, sonhos parecem somente momentos desconexos e sem significado. Mas, quantas vezes você estava dentro de um sonho vivendo sua própria realidade, consegue se lembrar? Quantas vezes você estava acordado, mas sentia-se como se estivesse sonhando? Não é incrível que mesmo depois de fechar os olhos e se desligar do mundo externo, você continue ligado?

O nosso subconsciente guarda segredos que nem nós percebemos. Segredos que estão ali guardados e não podem ser descobertos, a não ser que o compartilhamos. Exceto se você se deparar com Cobb e sua equipe e eles queiram lhe roubar um segredo. O processo é pura mágica e ciência. Como é explicado no filme, no sonho criamos e percebemos nosso mundo de forma simultânea. Na vida real isso não acontece dessa forma, ao criarmos algo, não percebemos a sua criação no mesmo instante. No meio do processo de criação e percepção explicado no filme, Cobb nos conta como funciona sua ciência: o sonhador cria o sonho, o sujeito o povoa. Cada pessoa é o subconsciente do sujeito e é de onde se pode tirar informações. Ou então, os segredos estão escondidos em cofres que o sujeito cria para mantê-los seguros. Somos nós que fabricamos nossos sonhos. Nós é que os construímos e nosso subconsciente o comanda. O que você tem no seu subconsciente? De fato, nós não seremos capazes de dar uma resposta concreta a essa pergunta porque o nosso subconsciente é puramente nossos sentimentos. E sentimentos são instáveis e desconexos, assim como os sonhos. Nosso subconsciente é inatingível. O mistério dito no título do texto, trata-se exatamente da pergunta feita anteriormente: O que tem no seu subconsciente? E também ao mistério final do filme, estaria Cobb preso no sonho ou na realidade? Nesse momento, você está preso em um sonho ou na realidade?

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