j. domingues

Velejando no imenso oceano da vida.

José Domingues

Designer Gráfico por profissão. Ilustrador por vocação. Escritor por paixão pura!

A insustentável leveza de um coração partido

Você perdeu um grande amor?
Então leva consigo uma experiência única e necessária ao crescimento como ser humano. O fato em si, aparentemente negativo, apenas nos torna mais fortes e preparados para enfrentar as adversidades da vida.


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Frases românticas, declarações amorosas e fotos de casais radiantes de felicidade movimentam as redes sociais em junho, mês dos namorados. Porém, mesmo ambientado nesse cenário um tanto shakespeariano, não dedico esta matéria aos enamorados, nem tampouco aos solteiros de plantão. O assunto aqui é voltado àqueles que perderam um grande amor. Isso mesmo, os parágrafos seguintes foram escritos para você, que está se sentindo solitário nessa multidão de corações apaixonados!

Numa época em que poemas e frases bombardeiam as redes sociais e os outdoors estampam repetitivos slogans publicitários direcionados aos casais, é fazer justiça dedicar, alguns minutos merecidos, digitando palavras solidárias aos corações partidos. E tais palavras, somente são válidas, quando saídas de uma mente que vivenciou as mesmas experiências de alguém que perdeu um grande amor.

Afinal, quem nunca se sentiu sozinho, mesmo na companhia de outras pessoas nessa época tão romântica? Em um mês tão carregado de musicalidade, é gritante o vazio insustentável num coração partido. Apesar da leveza do momento, até mesmo uma simples caminhada pelas ruas se torna nostálgica quando nos deparamos com uma canção antiga ecoando pelas esquinas, trazendo-nos à tona, turbilhões de lembranças relacionadas àquela pessoa tão especial. Isso sem falar daquele aperto pungente no peito e da respiração ofegante, na ânsia de gritarmos aos quatro ventos: “Estou aqui, amor!” – Qual a alma mortal que não passou (ou está passando) por essa sensação?

Não quero ser piegas, mas, não estou falando daquela paixão que transita entre a balada e a cama. Estou falando de um grande amor, pois ele existe, e, quem o nega, só pode ser comparado a um ateu que ignora a existência de Deus. E, se você é uma dessas pessoas que acreditam que um grande amor sempre acaba num final feliz, ao som da “marcha nupcial”, certamente deverá repensar sobre o assunto.

Nada mais deprimente do que a ansiedade daquelas primeiras horas do dia, diante do telefone que não mais toca naquele instante do “bom dia, amor!”, um ritual tão alimentado pelo casal. E no intervalo do trabalho, quem nunca tentou dar uma “espiadinha” naquele perfil te encarando com sorriso aberto, porém, estático, sem vida e inacessível?

“Para quem vou contar minhas tristezas ou minhas alegrias de cada dia?” “Quem vai ouvir com tanto interesse aquela ideia maluca que, se contasse para qualquer um, logo seria taxada de ‘bobagem’?” – São essas as perguntas que se tornam importantes. São nesses momentos que buscamos a todo custo, uma espécie de “soro do esquecimento” ou, até mesmo, um “guru” que nos ofereça um alívio emocional. – “Foque no trabalho!” ou, “Procure sair mais!” – são as palavras de praxe mais aconselhadas pelos amigos, porém, que não funcionam de forma alguma!

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É aquela voz ecoando no silêncio, aquele perfume que emana no meio da multidão e te evoca na mente a imagem de quem você tanto deseja ter ao lado. E as músicas que eram selecionadas a dois como uma espécie de coletânea em homenagem aos bons momentos... Como esquecê-las? São esses pequenos detalhes que destoam num cenário onde casais trocam presentes e juras de amor.

E, ao cair da noite, quando as estrelas oferecem um espetáculo aos enamorados, por outro lado, as mesmas parecem tão distantes e inexpressivas aos solitários. Finalmente, quando é chegada a hora de dormir, a Solidão, com seu manto frio e escuro, dá aquele abraço, afugentando Morpheus, e convidando a Insônia para fazer companhia durante a madrugada... E, lá fora, uma canção faz-se ouvir:

"Lembro de você/ Do seu cabelo ao vento/ Sua silhueta/ Ao fundo nascer do sol” (Guilherme Arantes)


José Domingues

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