j. domingues

Velejando no imenso oceano da vida.

José Domingues

Designer Gráfico por profissão. Ilustrador por vocação. Escritor por paixão pura!

Então é Natal, e o que você fez?

A verdadeira essência do Natal não se encontra nas lojas nem nos ricos presentes, e sim na simplicidade.


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“Então é Natal, e o que você fez? / O ano termina, e nasce outra vez / Então é Natal, a festa Cristã / Do velho e do novo, do amor como um todo…”

E assim inicia a famosa canção natalina na voz da Simone, ecoando nos shoppings e nos grandes centros comerciais. Para alguns, a melodia desperta um sentimento mágico e nostálgico, remontando cenários dos livros de Dickens: crianças sorrindo, neve caindo e luzes brilhando na noite natalina. Para outros, a canção soa como um deboche à realidade sombria que a própria data simboliza para muitas pessoas. Enquanto a música se propaga nas esquinas, crianças desnutridas e mendigos contemplam o próprio reflexo diante das vitrines das lojas. Outras, agachadas nas calçadas, presenciam, impotentes, o corre-corre daquela gente apressada, carregada de pacotes e bolsas…

E o tal Papai Noel com seus inúmeros ajudantes fantásticos ali, do outro lado do vidro, trajando ricas vestes e, sorridentes, distribuindo presentes àquelas crianças que, ao contrário do aniversariante do dia 25, nasceram todas em berços aconchegantes e macios.

“Então é Natal, e o que você fez?”

Há tanta verdade na primeira frase da música. Talvez passe despercebida para a maioria que, no momento, está entretida em comprar presentes caros ou preocupada com a roupa que irá usar na festa de final de ano.

“... e o que você fez?”

Foram mais de 360 dias. Muita coisa deveria ter sido feita em prol a uma causa maior. Ajudar aquele amigo a enfrentar um problema. Doar um pouco do sangue para quem precisa manter-se vivo. Fazer alguém feliz... Aquele almoço pago no restaurante para um pedinte... tudo isso é pouco diante da dimensão real daquilo que se chama Fraternidade.

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Vejo com tristeza o simbolismo cristão se resumir numa simples propaganda da Coca-Cola, onde uma família feliz é aquela diante de uma mesa farta e soberba. Se tornou um estereótipo, um padrão quase que obrigatório a troca de presentes. O simbolismo dos Reis Magos, transmutado em paliativo comercial, transforma a homenagem ao deus-menino, nascido na manjedoura, numa oferta de valores materiais. O simbolismo cristão do desapego ao materialismo está tão claro no relato da Natividade! A verdadeira canção natalina era ouvida pelos mais simples e puros de espíritos.

“... Então é Natal, a festa Cristã Do velho e do novo, do amor como um todo…”

“Então é Natal...”

Uma linda data para alguns. Uma triste realidade para outros. Uma época de reflexão, acima de tudo. A tradição dita a união em família, o reencontro e a compaixão com o próximo. Tirando toda essa baboseira de publicidade com vista ao enriquecimento das grandes empresas, que tal buscarmos a simplicidade do momento? Abrace seus pais e avós. Compartilhe as alegrias das conquistas com os amigos. Faça planos para ser uma pessoa melhor, mais solidária e menos hipócrita.

De nada vale ir à missa aos domingos ou participar de encontros religiosos se a intenção se limita apenas à salvação da alma. Nossa alma já se encontra perdida nesse mundo onde o materialismo reina e a hipocrisia nos torna cegos diante de tanta miséria no mundo.

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Busquemos a sensibilidade que nos tentam roubar. Tentemos resgatar o nosso poder de sofrer diante das lamúrias dos mais necessitados. Quem sabe assim, no próximo ano, possamos iniciar os primeiros dias e meses com atitudes que nos tornem referências reais de solidariedade. Não falo de palavras postadas em redes sociais em prol a alguma causa específica. Me refiro a ações verdadeiras, onde possamos erguer quem estiver caído, satisfazer a quem tiver fome e, dar abrigo a quem não tiver onde dormir. São essas as atitudes que enobrecem a alma e enriquece o espírito. E que sejam desprovidos de interesses e daquele desejo um tanto hipócrita de conquistar um lugar no Céu.

“Então é Natal, e o que você fez?”


José Domingues

Designer Gráfico por profissão. Ilustrador por vocação. Escritor por paixão pura!.
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