janela

A percepção que você tem do mundo é o que você vê da janela.

Samella Velez

Meu pé de laranja lima - O oposto do amor

Um filme brasileiro de 1970, adaptação do livro autobiográfico - Meu pé de laranja lima - de José Mauro de Vasconcelos. Uma história voltada para o público infantil, mas com grandes ensinamentos para os adultos. A fuga da dor através da capacidade de fantasiar, onde a realidade e a imaginação se fundem.


Uma vez li que o oposto do amor é a indiferença. Na época não pude compreender, talvez fosse jovem demais para saber como ser indiferente a um amor. Acontece que maturidade emocional não está diretamente ligada à idade que possuímos, e sim, as nossas experiências em especial àquelas dolorosas que um dia tivemos. A melhor definição que já ouvi de como ser indiferente ao amor, foi ao assistir o clássico filme Meu pé de laranja lima (1970) de José Mauro de Vasconcelos “Matar não quer dizer a gente pegar o revólver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu”. A frase foi dita pelo personagem Zezé de apenas seis anos, ao desabafar para seu amigo o quanto era incompreendido por seu pai e toda sua família. Apesar de criança, suas experiências dolorosas logo o fizeram compreender que era necessário ser indiferente para não sofrer. Era necessário matar no coração e assim matar a dor. A fórmula para não amar parece simples, mas só quem já tentou fazer um “bum” no próprio coração, no espaço reservado a alguém, descobre como essa é uma difícil missão. E num caminho mais curto e ao lado do amor caminha o ódio. É mais fácil odiar, odiar o fato de não ser amado e de não ser compreendido como achamos que deveríamos. Matar alguém no coração não é negar a existência deste alguém no mundo, mas é dar adeus a quem já fez parte do seu universo particular. Maturidade suficiente para aprender a não desejar o mal, mas também não querer mais por perto. Quem já assistiu ao filme, certamente sentiu um nó na garganta em diversos momentos. Odiou a intolerância e a brutalidade do pai diante das molecagens de uma criança inventiva. Sentiu muita raiva da irmã rude que no meio de uma discussão com Zezé o espanca até fazê-lo sangrar. Odiou junto com Zezé aquela vida difícil e amarga, mas ao final percebe que aquela mesma criança que definiu a indiferença, feito uma fórmula perfeita, depois que a dor amenizava, que a raiva passava e que as marcas das surras cicatrizavam ele voltava a amar. Daí a gente aprende que a indiferença é coisa de gente grande.

AUTORA: Samella Velez


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