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Uma fresta para observar o que se passa do lado de dentro

Murillo Pena

Nascido em Indaiatuba, interior de SP, mora em São Paulo há mais de 6 anos. Trabalha na área de TI para pagar o aluguel e a coxinha no Veloso. Encara como um desafio estimulante a arte de transcrever em palavras o que vai na cabeça e no coração.

Deu Match! E agora?

Os apps de encontro vieram mesmo para ficar! E você que tá aí solteiro(a) e querendo encontrar alguém, já conhece os principais apps do momento? Veja as características do Tinder e do Happn na opinião de um usuário real.


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Assim como nos acostumamos, já há algum tempo, a usar o serviço de buscas online para pesquisar sobre qualquer assunto que nos interessa, o acesso crescente aos smartphones e às redes móveis tem facilitado o desenvolvimento, uso e divulgação de aplicativos, ou apps, que servem para os mais prosaicos objetivos.

Mais do que tendência ou modinha passageira, os apps de encontros estão se consolidando de maneira rápida no Brasil e no mundo. São plataformas virtuais com cara de rede social, mas com o intuito de oferecer o ambiente e a variedade de perfis necessária para aqueles que estão em busca de um par romântico, uma companhia de uma noite só, um namoro sério ou apenas amizade colorida. Ou ainda, para quem busca sexo casual. Pois é, essa opção existe mesmo.

A dificuldade em definir uma única motivação de alguém que instala um app de encontro talvez seja a causa da crescente popularidade desses apps: o processo de abordagem para uma relação amorosa ou sexual envolve fatores tão complexos e subjetivos da vida em sociedade, que acaba atraindo uma grande diversidade de usuários para a plataforma, cada um com sua bagagem única de experiências (ou de falta delas).

Portanto, sou contra a abordagem de quem diz que tal app é só pra sexo, que teria vergonha de criar um perfil num ambiente desses, onde as pessoas parecem expostas numa prateleira, à espera do SIM ou do NÃO de quem só vê cara, mas não vê coração. Gente, o app é apenas uma ferramenta que junta uma galera disposta à objetivos mais ou menos similares. Mas quem faz essa ferramenta ser útil ou não, relevante ou não, eficaz ou não, é VOCÊ. O uso que se faz do serviço é que pode definir (mas não limitar) se o app serve para sexo, namoro, casamento ou só para ter uma companhia pra tomar uma gelada na quinta-feira à noite.

Tenho um perfil há mais ou menos um ano em dois dos principais apps do momento: Tinder e Happn. E nesse período, tenho notado as semelhanças e diferenças entre eles. Usei, enjoei, dei um tempo, voltei a usar e a enjoar, mas não desinstalei, continuam ali e de vez em quando eu entro e me divirto um pouco com eles. E, claro, também tive algumas poucas experiências interessantes. Pretendo continuar com eles instalados e ativos aqui no meu smartphone, pelo menos enquanto eu pertencer à categoria dos solteiros.

Como semelhança, tanto o americano Tinder quanto o francês Happn oferecem um espaço para se colocar várias fotos, dados básicos como nome e idade, e um espaço opcional para descrição livre, onde pode-se contar um pouco de si e esclarecer o que se busca, o que se gosta, o que não se suporta.

O Tinder só funciona com o bendito GPS ligado, e não pode ser naquela opção com economia de bateria, que usa a rede da internet para identificar a sua localização, tem que estar com o GPS do aparelho ligado mesmo, para que o raio de busca (definido em Km) seja preciso na caça aos pretendentes.

Já o Happn teve a bela sacada de aproveitar o apelo da maior proximidade física entre as pessoas, ao mostrar na tela perfis de pessoas que, teoricamente, cruzaram com você em determinado momento em determinada rua. Estranho que, mesmo eu estando dentro do meu apartamento às 2h da manhã, o serviço continua mostrando pessoas recém-cruzadas comigo. Talvez elas morem no mesmo prédio ou acabaram de passar de carro pela rua de trás. Na prática, jamais reconheci na telinha do app alguém com quem eu realmente tenha cruzado pela rua. E isso considerando que tenho uma certa facilidade inata de me lembrar de rostos, mesmo de desconhecidos.

A maioria dos críticos ferrenhos desse tipo de app provavelmente nunca usaram o app pra valer, nunca investiram em criar um perfil bacana, selecionar as fotos, pensar numa descrição, ou escolher não se descrever, o que também é uma estratégia bem válida. Muita gente ouviu algum amigo falar isso e aquilo do app e a tendência lamentavelmente humana de se pular para conclusões precipitadas se fez presente.

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Concordo que pessoa não se escolhe numa prateleira ou numa vitrine, da mesma forma como se escolhe uma peça de roupa ou um sapato. Em nome da praticidade, um lado pode ter sido banalizado. Mas se você escolhe comer um dia num fast-food, isso não quer dizer necessariamente que você despreza uma comida gourmet ou mais saudável, feita no capricho e usando um maior tempo de preparo.

Por isso, minha recomendação é: use esses apps com moderação! Na vida real as pessoas não estão sempre sorrindo, produzidas e belas, com a Torre Eiffel ou o Mickey ao fundo, de óculos escuros, ou fazendo selfie com biquinho (juro que tem mulher que acha isso sexy).

E depois que o seu perfil combinou com o outro? Deu Match! Uhuuuu! Aí começa o exercício de troca de mensagens, papo vai e papo vem; às vezes o papo que vai num dia só vem no dia seguinte. Mas tá valendo, aos poucos o papo avança e vocês se tornam um pouco mais íntimos. Até que… Marcou um encontro? Que nada! Até que você conseguiu o número de WhatsApp dela(e)… Ah, finalmente! Agora é só continuar o papo ali, no outro app que você já sabe usar bem. Será que um dia finalmente esse encontro vai rolar?


Murillo Pena

Nascido em Indaiatuba, interior de SP, mora em São Paulo há mais de 6 anos. Trabalha na área de TI para pagar o aluguel e a coxinha no Veloso. Encara como um desafio estimulante a arte de transcrever em palavras o que vai na cabeça e no coração..
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