jaqueline ruiz

Canceriana com ascendente em escorpião que sente demais, pensa demais e, por isso, escreve demais.

Jaqueline Ruiz

Pensa constantemente na vida e escreve em busca de significados... ou mais questionamentos.

Azar é de quem cruza

O que tem guiado a nossa vida? Nossos valores ou nossas vontades?


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No filme “O noivo da minha melhor amiga”, Rachel se envolve com o noivo de sua amiga de infância. Também madrinha do casamento dos dois, ela precisa lidar com o peso da mentira e com os sentimentos em relação a ele. Para gerar empatia nos telespectadores, o enredo trata Darcy como a amiga fútil que sempre tirou as coisas de Rachel e que merecia a traição porque também fazia o mesmo com o noivo.

Trata-se de romantizar uma história de traição. Apresentar fatos aos telespectadores que justifiquem o erro da personagem, centralizá-la como uma pessoa digna 99% do seu tempo que teve apenas um momento de deslize, sugerir que o errado é o certo. Sinto que fazer esta última afirmação é quase que ofender alguém, pois hoje em dia tudo é relativizado, tudo é compreensível. Já não há mais errado, é uma questão de ponto de vista.

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Mas então... O que tem guiado a nossa vida? Quais princípios e quais valores? Se é que existem. Nosso individualismo nos faz crer que somos merecedores de tudo, que estamos sempre do lado do bem pois conhecemos as nossas desculpas, sentimentos e justificativas. Mas isso pode esconder uma terrível verdade: de que estamos sendo pessoas ruins para outras. Nossas palavras e atitudes sempre vão afetar alguém em algum nível. Será que temos ofertado a reciprocidade que desejamos?

Princípios são comprometimentos que fazemos com a nossa consciência e o que direciona nosso modo de viver. Aquilo que acionamos quando nos deparamos com uma má situação e o que nos faz dormir tranquilos depois. “Todos os caminhos do homem lhe parecem puros, mas o Senhor avalia o espírito”, já dizia Salomão em Provérbios capítulo dezesseis. Embora seja uma frase religiosa, é adequada ao tema. Nossas intenções nem sempre estão em conformidade com o caminho aparentemente puro. Quanto mais vemos da nossa perspectiva, mais puro ele parecerá. Não é preciso ser religioso para ter valores na vida, é preciso apenas ter caráter e prioridades.

tumblr_mitgp3aQu51rijbg1o1_500.gif Mas essa parece ser uma geração guiada pelo prazer. Ou melhor, submissa aos próprios desejos, pois falta domínio sobre o corpo e as ações. Se sinto, expresso. Se tenho vontade, logo faço. Amanhã lido com as consequências e no dia seguinte, repito o ciclo. É preciso romper com esse padrão e dar espaço à mudança para experimentar relacionamentos melhores e se enxergar de forma mais positiva. Quando o liberalismo beira ao exagero de não avaliar as circunstâncias, laços são quebrados e algo dentro de si também parece quebrar, como o conceito que você cria de você mesmo. Não somos naturalmente bons, mas podemos escolher ser melhores do que fomos ontem.

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Darcy pode ser fútil, invejosa e até mesmo ter traído o noivo. Mas isso não exime Rachel da culpa. Precisamos assumir as nossas responsabilidades em vez de as projetarmos nos outros no intuito de aliviar a nossa consciência. Viver no limite da dúvida do que é errado ou não, é se arriscar. E qualquer vento forte pode fazer cair.

O título do texto faz referência ao vídeo deste link.


Jaqueline Ruiz

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