julia tourinho

Reflexões sobre cinema e relacionamentos

Julia Tourinho

Psicologa por formação, Terapeuta por vocação. Sou apaixonada pelo estudo das relações humanas. Nisso os filmes são grandes ferramentas, são espelhos de nossas vidas - hábitos e comportamentos. Através deles sentimentos em nós são despertos, uma grande fonte de reflexão. Escrever sobre filmes e suas histórias é escrever sobre a própria vida.
Quanto a mim, acredito no melhor! Que toda transformação é possível e que nunca devemos desistir!

Perguntas para um Ano Novo transformador - Você sabe o que realmente é importante?

Noite de Ano Novo é um filme que, mesmo com muitos clichês, faz pensar sobre o que realmente é importante. Amor, perdão, recomeço, sonhos, iniciativa. Resoluções de Ano Novo e o valor das relações. Nos coloca o questionamento: Afinal o que queremos construir para nossa vida?


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Noite de Ano Novo (New Year’s Eve), dirigido por Garry Marshall, traz um elenco de atores populares, em histórias cruzadas sobre a noite de réveillon. A bola da Times Square e a noite de ano novo são os temas que interligam as histórias, mas em realidade a grande temática da película é a esperança e o exercício de ser feliz; o perdão e o amor.

Este sem dúvidas é um filme romântico voltado para o entretenimento. Com cerca de oito histórias principais e mais algumas paralelas não é possível se aprofundar em nenhuma delas, mas alguns trechos nos levam a reflexões.

Nesse artigo destacaremos três trechos do filme que servem de reflexão pessoal sobre como estamos conduzindo nossos planos. Afinal, o que é importante na vida?

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Ingrid e Paul

Resoluções, listas e o tempo

Talvez a história mais tocante do filme, aborda temas como: siga seus sonhos, não deixe a vida passar, arrisque, mude.

Ingrid (Michelle Pfeiffer) e Paul (Zac Efron) tentam completar uma lista de resoluções (to do list). Ingrid é uma secretária que está infeliz com a sua vida e decide tomar uma resolução de ano novo: Completar sua lista de coisas para fazer! Ela então contrata Paul (o oficie boy), que com ideias criativas e inesperadas ajuda Ingrid na realização da sua lista de sonhos. Sensível e engraçada, a história traz a reflexão sobre o tempo e coragem.

Todo final/início de ano fazemos uma tradicional listinha, não é? Mas... quantas vezes as cumprimos?

Ingrid decide cumprir sua lista de resoluções e dar uma chance a tudo que sempre quis fazer e (seja por quais motivos) sempre deixou para depois...

A lista tem um tanto de coisa ‘impossíveis’ e desejos subjetivos que são completados com humor e irreverência. Poderíamos pensar nesse aspecto sobre dois pontos de vista; um seria a importância de não deixar seus sonhos para depois, o outro, o quanto é possível tornar o ‘impossível possível’ através da alegria e contentamento nas coisas simples.

Acredito que os dois pontos de vista são fundamentais para encontrar a felicidade, alegrar-se com o que se tem e desejar ser melhor.

A história de Ingrid faz pensar o quanto dar o primeiro passo exige coragem!

E quantas vezes nos boicotamos por medo.

Ou nos paralisamos por falta de conhecimento a respeito dos nossos reais desejos.

Você já parou para pensar quantas vezes se deixou paralisar pelo medo?

Essa história inspira a ter coragem e não desistir de sonhar.

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Clarie Morgan

Segundas chances

Claire é a personagem vivida por Hilary Swank. Ela é responsável pela festa de final de ano na Times Square, a famosa festa de rua de Nova York. É a sua primeira vez no comando de um evento tão importante, e enfrentará um grande problema: a descida da bola é interrompida por uma falha elétrica. No meio da corrida para que tudo se resolva, Claire faz um discurso que motiva à todos e ajuda a dar o tom do filme.

“A bola está suspensa para lembrar-nos de antes de estourar o champanhe e celebrar o novo ano, parar e refletir sobre o ano que passou. Lembrar nossos triunfos e nossos erros, nossas promessas feitas e quebradas. As vezes que nos abrimos para grandes aventuras ou nos fechamos por medo de nos machucarmos como isso. Ano novo e sobre isso... outras chances... Chance de perdoar, fazer melhor, fazer mais, dar mais, amar mais."

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O discurso Claire traz a importância de pensar os erros. Quantas vezes sentimos que não temos muitas coisas para comemorar, percebemos que fracassamos ou nos decepcionamos? As vezes a vida passa tão rápido que mal nos damos conta que deixamos coisas importantes passar. Antes de nos martirizarmos é importante parar e nos perguntar o que temos a aprender com nossos erros? Muitas vezes permanecemos cometendo equívocos por orgulho, por não querer olhar de frente para as nossas falhas.

O quanto antes nos permitirmos esse conhecimento, mais fácil será a transformação.

Então proponho um exercício:

Que tal fazer uma lista dos hábitos que deseja ‘deixar’ neste ano, tudo que não deseja repetir no ano que se inicia?

Tomar essa resolução pode ajudar a nos tornarmos mais conscientes de como podemos ser melhores.

Essa história lembra da importância de recomeçar sempre.

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Sam Ahern Jr

A importância do agir e construir as nossas realidades

Sam (Josh Duhamel), um figurão de Nova York, bate com o carro e inicia uma grande corrida para chegar a tempo para o seu discurso na festa de Réveillon, recebe carona de uma família que está indo para o grande evento da Times Square. Até chegar em Nova York, Sam recebe divertidos conselhos... Embora os dilemas desse personagem envolvam relacionamentos, o seu discurso fala sobre arriscar e construir uma realidade nova para si mesmo. Uma pergunta em seu discurso faz refletir: “O que você faria hoje, se soubesse que não iria falhar?” Então, “Agora saia por aquela porta e faça.”

Essa pergunta traz à tona a grande pegadinha dos desejos... dificilmente conseguiremos construir objetivos se não soubermos o que queremos. Assim como, dificilmente conseguiremos manter objetivos se não estivermos conscientes do que nos move até eles.

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O que você faria hoje, se soubesse que não iria falhar?

Essa pergunta nos leva direto aos nossos profundos desejos, nos coloca de frente aos medos que nos bloqueiam, mostra que as vezes nos esquivamos de dar o nosso melhor porque existe a possibilidade de não dar certo (e talvez por isso não dê certo mesmo)... E o pior, nos confronta com o fato de que talvez não saibamos ao certo o que desejamos para nós!

Pode ser que saibamos sobre metas e conquistas, mas será que isso realmente nos alimenta de amor, esperança, desejo de ser melhor?

E como a mensagem do filme, será que no final das contas não é isso que vale?

Essa história é sobre arriscar fazer diferente e construir o que se quer.

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Novos inícios – o que podemos aprender como esse filme?

O novo ano que se inicia, metas e objetivos

Você já fez sua lista de desejos, metas e objetivos?

Sua lista incluir projetos e ganhos que beneficiem outras pessoas além de você mesmo?

Você realmente deseja ser melhor e fazer a energia da abundância girar?

Está consciente do que lhe move?

Se você deseja metas e objetivos com um pouco mais de alma, esse exercício pode ajudar: (Pare um instante e responda essas perguntas)

O que realmente te motiva? Identifique 3 pessoas/momentos inspiradores.

Dê-se conta do que te causa ‘borboletas’ no estomago. Pense em 3 objetivos.

O que realmente é importante para você? Liste os momentos mais importantes da sua vida.

Se já havia uma lista e nela não há nenhum item que realmente te entusiasme e leve a transformação, proponho que faça uma nova lista de resoluções para o próximo ano.

Uma lista que inclua fortalecimento das relações e alma aos projetos.

Junto com o filme percorremos um caminho através das perguntas, um caminho de identificação de nossos medos e erros, a percepção do que realmente desejamos. Que elas sirvam para descobrirmos o que é necessário para fazer surgir no próximo ano novos horizontes, transformações, a possibilidade de novos começos, descobrir o que realmente é importante e criar condições para que isto floresça!

Que possamos aproveitar ‘Noite de Ano Novo’ para refletir sobre amor e esperança, sobre as relações que construímos, sobre os afetos, sobre o que realmente queremos e sobre a nossa capacidade de recomeçar a cada momento!

São os meus desejos para o próximo Ano, uma vida com mais vida!


Julia Tourinho

Psicologa por formação, Terapeuta por vocação. Sou apaixonada pelo estudo das relações humanas. Nisso os filmes são grandes ferramentas, são espelhos de nossas vidas - hábitos e comportamentos. Através deles sentimentos em nós são despertos, uma grande fonte de reflexão. Escrever sobre filmes e suas histórias é escrever sobre a própria vida. Quanto a mim, acredito no melhor! Que toda transformação é possível e que nunca devemos desistir!.
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