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- o verbo que dá vida ao pensamento -

Karam

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Karam

Sou a noite que acolhe o medo. Sou a dança dos desesperados sem um amanhã. Sou riscos – tais quais os da vida, tais quais os de arte: não há separação entre dois polos de máxima beleza –, e você é apenas um deles. Você me compõe, ao mesmo tempo em que me transforma. A música do seu corpo é o movimento que me expande, que me orienta e me desorienta. Sou disforme porque preciso acompanhar a naturalidade do mundo: pessoas acontecem, não têm forma. Me adapto para que eu também possa ser, mesmo que composto de vários, um exemplo da bela espontaneidade que rege a existência poética.

Não quero fins e delimitações, nem pontas – por isso não quero estrelas –, nem constelações. Quero pairar e existir sem acordos prévios que determinem o quanto de mim eu poderei ser, ou o quanto de ti eu poderei ter, ou o quanto de tudo eu poderei absorver. Não! A liberdade só pousa os olhos em mim quando estou em minha versão inteira: aquela que pode se repartir quantas vezes quiser, e ainda se sentirá inteira.

Quero ser o manto que te cobre e te protege e te alimenta de solidão – por que não? Quero ser tua atmosfera.


- Trecho do livro de poesia "Noite", publicado em Agosto de 2015 pela Editora Multifoco.

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