ki literatura é essa?

Um olhar sobre a escrita dos clássicos aos contemporâneos.

Adriana Vieira

Escrita sem emoção e sem técnica cai no labirinto do esquecimento.
Necessário emocionar sem ser piegas e reinventar aquilo que já foi dito

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    Norman, um filme obrigatório

    Norman, confie em mim é um desses filmes que ficam na memória por conta da singeleza e particularidades do personagem.E que personagem, que me faz acordar e adormecer pensando nele. Norman parece estar na contramão dos tempos anti corrupção. Seus atos são questionáveis, humanos e possíveis. Quem pode condenar Norman- se já nascemos com aquele desejo inusitado por leite. O olhar de Norman é o olhar carente de quem deseja inventar uma vida para suportar sua própria existência.
    Recomendo o filme. Richard Gere está em excelente forma artística. E Joseph Cedar, diretor israelense nascido em Nova York, autor de Fogueira - indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004 nos presenteia com seu primeiro longa metragem em língua inglesa.

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    outros sentidos - o livro que me pertence

    O livro infanto-juvenil "outros sentidos" é um achado. Um grande quadro,um grande livro naif preenchido por mini telas, com a sutileza e sensibilidade da escrita de Maria Emilia Algebaile. A grande tela está agora ocupando os espaços vazios da minha biblioteca. Um relento nestes dias tão difíceis.Uma brisa. Uma releitura da minha infância. Uma permanência.
    Ganho para sempre a tela de Analice Uchôa e a escrita lírica de Maria Emília.
    No traçado, a arquitetura do que sou e daquilo que não perdi. A infância.
    As cantigas de roda. O gosto pela vida.
    Gosto de Picasso , de Matisse, ambos foram os primeiros admiradores da arte naif preconizada por Henri Rousseau, pintor autodidata. Gosto de Analice Uchôa.
    Gosto da poesia de Maria Emília Algebaile, uma melodia de sentidos.
    Estou preenchida. Pertenço ao mundo dos sonhos.

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    o primeiro beijo de Clarice

    O beijo. O primeiro.
    Não um simples beijo. Uma catarse. Uma viagem pela vida interior do personagem menino que se torna um homem.
    Belo. Profundo.
    Urge, todos os dias, beijarmos a vida. E tentarmos sentir a paixão vivida pelo garoto criado por Clarice. O garoto sem nome, mas repleto de alma.

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    o ovo e a galinha- o mistério do mundo

    Clarice escrevia com alma, e este conto é um dos mais enigmáticos. Ela mesma achava difícil interpretá-lo por completo. O relato em si confunde-se com a própria vida, enigmática e misteriosa. Em busca de si mesma, a galinha vive o reino das coisas, aquilo que Jean Paul Sartre exemplifica como o reino de para si, sem senso de realidade, vive em sonho e em constante busca de si.
    Quando se rompe a barreira do sonho e o homem vive a realidade em si, ele passa a ser objeto. Mas o objeto é mágico como o ovo de Clarice- ele é essência. E nós, seres humanos, somos a consciência.
    Talvez o suicídio seja o clímax do agente desprotegido em busca da verdade absoluta, a procura incessantemente sem respostas. Individualista e incapaz de entender o grande barato de simplesmente viver, e entender que o viver nas palavras de Clarice “é extremamente tolerável- viver ocupa e distrai, viver faz rir", o suicida abre mão de viver sem respostas. A resposta está no Ovo. Melhor deixar quieto.

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    clarice, a catadora de emoções

    Clarice Lispector dispensa apresentações. Seus escritos sempre nos colocam frente a frente com nossos sentimentos mais profundos. Da solidão à felicidade. Do simples ao Complexo. E assim nosso ser é reinventado a partir do momento em que nos conhecemos. Felicidade clandestina é o primeiro dos contos que pretendo apresentar ao leitor.
    A história tem como plano de fundo a cidade de Recife e a relação de duas colegas de colégio. Uma, detentora de livros e outra bela, como a Clarice narradora. Lindo conto.

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    Gaivota é gente

    As gaivotas banham-se ao sol. No semblante de cada uma delas há gestos e a fala de todos nós. O mundo está repleto de gaivotas prontas para voar. E quando a saudade bate, melhor imaginar-se gaivota e pousar onde se deseja pousar.

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    PINÓQUIO - um romance a ser relido

    Pinóquio é um romance atemporal. A história de um pedaço de madeira que se transforma em boneco, nas mãos de um carpinteiro, traduz o universo humano do homem, sempre em busca de sua verdade interior. O livro vai além quando através do personagem, traduz a importância da educação para que possamos nos inserir no mundo. O livro é um clássico, pois há todos os elementos da narrativa, como a redenção do personagem graças ao sofrimento e as aventuras que terá que passar. Uma jornada de auto conhecimento.

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    Ser feliz

    Ser feliz é valorizar as pequenas coisas da vida. Um sorriso. O latido do seu cão querido. Ler um bom livro sem pressa. Mas antes de tudo ser feliz é despir-se de tudo que não te serve, da calça antiga mofada no armário, do seu cabelo com o mesmo corte de anos atrás, e de seus pensamentos tão iguais e tão previsíveis. E como diz o mestre Raul Seixas, melhor ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

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    manuel bandeira - o poeta da criança que eu nunca deixei de ser

    A poesia de Manuel Bandeira agrada a todos. Lembra cantigas de ninar e enche de água os olhos dos adultos, pois há nos versos uma profundidade só percebida na maturidade. Impossível não gostar da escrita magistral desse grande poeta.

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    Controle remoto

    Um quadro em constante mudança. Seja aqui ou do outro lado do mundo.

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    A arquiteta e eu

    A aranha estava certa . Eu estava apta pois tinha percorrido toda a trajetória da dor e conhecia o sabor da alegria. Desse jeito eu poderia bordar minha própria teia com o viés da liberdade.

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    Como Anton Tchecov pintaria sua tela de palavras na era dos relatos rasos?

    No conto Angústia Anton Tchecov traz a história do cocheiro Iona e seu desconforto com a morte do seu filho. Impressionista das palavras, o escritor sobreviveria cravado numa cama ou estaria postando seus contos nas redes sociais? Se a era é das mensagens curtas, e os sentimentos tão rasos e esquecíveis, como um dos maiores mestres da literatura mundial pintaria sua tela de palavras?

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    O fim ou o recomeço

    Fim dos tempos ou um sonho. Não importa. Uma boa noite de sono ao lado de um cão fiel e amigo é o antídoto ao sofrimento de enxergar o mundo pelo avesso.

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    Quixote, o cavaleiro errante de Guimarães Rosa e Jorge Luís Borges

      Um triângulo. Em uma ponta Jorge Luís Borges, na outra Guimarães Rosa e no ápice um personagem com as vestimentas de uma cavaleiro - O D.Quixote. Por que a escolha? Acredito que em Literatura nada é exato e circunscrito. E ao esmiuçar a escrita dos dois escritores, descobre-se similitudes e diferenças, apesar do objeto ser o mesmo.Percebo que as aventuras do nosso Quixote e seu psicológico não revelado, e daí o lado intrigante do romance são verdadeiros laboratórios para os escritores. Não somente suas possibilidades, mas também seus segredos e mistérios. Somente o fato de ler demais romances de cavalaria não tornaria Quixote um louco, todos nós sabemos disso. Mas mesmo sem saber o porquê acreditamos ser ele um louco, por não distinguir as coisas dos signos. E a partir dessa loucura será o próprio Quixote a literatura, solta, criativa e ficcional?
     

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