ki literatura é essa?

Um olhar sobre a escrita dos clássicos aos contemporâneos.

Adriana Vieira

Escrita sem emoção e sem técnica cai no labirinto do esquecimento.
Necessário emocionar sem ser piegas e reinventar aquilo que já foi dito

O fim ou o recomeço

Fim dos tempos ou um sonho. Não importa. Uma boa noite de sono ao lado de um cão fiel e amigo é o antídoto ao sofrimento de enxergar o mundo pelo avesso.


Cai uma pétala depois a outra e logo depois o cachorro late alucinado feito lobo anunciando algo de errado . Mas a rua continuava semi desértica - alguns pássaros, outros bichos miúdos a procura de uma seiva sobrevivente. Havia uma em frente a minha mesa branca- necessária mantë-la para que não esqueça a ternura de uma pétala caindo.Um pouco de lágrima um pouco de física um tanto de poesia. O cachorro não desiste- torna a latir em desespero. Resta-me alçar voo até o canil.

Ao chegar na sua casa de cachorro me deparo com um lagarto vermelho e azul . Retirei o canino de sua casa, e lá deixei o exemplar esquisóide e semi extinto desfrutando da sombra e da água posta na cambuca de inox.

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Mas o cachorro tornou a latir. A floresta mudou de tom. O céu antes azulado , parecia amarelar-se.Os tons sépia invadiram o quintal e a rua foi varrida por uma areia fina . O calçamento foi substituído por um grande areal. Os lábios ressecaram por uma fração de segundos, os olhos purgaram. Bateu uma sede estrondosa. Procurei o telefone , não dava linha . Liguei a televisão - um chiado estrondoso em granitina. Subi as pressas para o sótão, e o mar delicioso de curtir e fotografar foi tomado por montes de areia.

Abracei meu cão. Sozinhos no andar mais alto da casa olhávamos a pétala avermelhada de uma rosa artificial. Caiu uma depois a outra. Adormecemos juntos esperando ter sido um sonho. Ouvimos música clássica. Ao acordar o mar tornou ao mesmo lugar, a rua de branca passou ao seu estado original acinzentada. A passarinhada fazia alegria e pareciam conversar.

No canil o lagarto ainda estava tomando da água do meu fidedigno cachorro. Com sua robustez de costume ele deu uma latida, o lagarto multi colorido abanou o rabo e sorriu. Ligeiro, mergulhou na grama verdinha e deixou para trás um bilhete.

O céu nessa manhã estava sem nuvens, o vento fresco e os lábios úmidos de tamanho prazer não foram suficientes para que a curiosidade invadisse meu querer. Em letras lagartas dizia volto logo. Entrei na cozinha, arrepiei quando fui ver as horas - já passava das dez da noite - lá fora dia de sol. Não entendi muita coisa. Parecia sonho. Tornei a escrita, lagrimei no papel minha angústias. Trouxe meu amigo comigo. O tempo correu. Amanhã estará deserto. Vou adormecer novamente.

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Adriana Vieira

Escrita sem emoção e sem técnica cai no labirinto do esquecimento. Necessário emocionar sem ser piegas e reinventar aquilo que já foi dito .
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