lançando flechas

Diretamente da aljava do bloco de notas

Bruno Carlos

Paulistano, estudante de comunicação, apaixonado por artes em geral e esportes radicais. Do tipo que sonha acordado com facilidade, buscando de alguma forma melhorar sempre que volta pra realidade.

MOMENTO SHIFT

Nossa geração vive um momento onde a demanda por um SHIFT se faz cada vez mais necessária. Acredito que esse relato não é tão isolado do que muitos estão vivendo por ai. Mais um texto baseado em fatos que poderia ir para a coluna "Into the Wild" dos muitos e frequentes que estão circulando atualmente.


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De repente os dias passam, mas a única mudança está no calendário, pois todos eles são iguais. Você então percebe que a vida está passando e que sua rotina te venceu. Check Mate! Você tenta escapes em happy hour, apela para o cartão de crédito e só sente uma alegria momentânea nos dias de pagamento do salário.

No fundo no fundo a gente sabe que alguma coisa está errada e que a vida está passando diante dos nossos olhos como se estivéssemos trancados em casa olhando pela janela um dia ensolarado acontecer. E o que procuramos? Mais fugas dentro da prisão da rotina. Gastamos nossa energia, investimos nosso tempo, nos apaixonamos por coisas que não são coerentes a nossa natureza, tudo isso simplesmente pela necessidade humana de pertencer e se sentir vivo - mesmo que o ambiente seja de morte do seu eu.

Eu precisei provar o gosto amargo de uma quase depressão para cair na realidade de que estava vivendo tudo isso. Começou com algumas noites mal dormidas que depois viraram insônia, veio então a falta de apetite e irritabilidade em casa com quem não tinha nenhuma culpa pelo meu estresse, até que formigamentos e espasmos que me impediam de relaxar ligaram o sinal de alerta - alguma coisa está errada!

Médicos, remédios e etc passaram a ser o caminho pra aliviar tudo isso, mas a raiz do problema não seria arrancada; apenas os sintomas seriam controlados, o gerador do problema continuava lá - EU. Foi então que comecei a considerar, ou melhor, mapear tudo o que estava me agredindo dentro da vida que estava levando e busquei uma saída. Qual a saída? Literalmente sair.

Tenho 26 anos, sou formado em propaganda e marketing e estou preste a concluir minha pós graduação em comunicação. Gosto do que estudo, porem não aplico nada no meu trabalho. Sou gerente de banco, vendedor e cumpridor de metas. Há valor no meu emprego, não tenho dúvidas, porem o que faço e onde estou inserido não condiz com o que a minha personalidade e natureza desejam. Essa é a minha frustração profissional. Eis que de tanto fazer vista grossa a tudo isso pela minha necessidade de grana, estabilidade e segurança; chegou o momento em que minha saúde física, mental e espiritual foram abaladas. Ás fraquezas já existentes se maximizaram e as virtudes se minimizaram. Acordar todos os dias para viver o mesmo dia de ontem virou uma tortura.

Bom, eu ainda não tenho uma moral da história. Estou num processo que gosto de chamar de "shift", estou trocando meu pensamento. Cai na real e admiti que meu estilo de vida e rotina são nocivos. Comecei a considerar a minha saída do trabalho e assim assumir o risco de abrir mão da estabilidade que me escraviza para viver uma aventura que pode me libertar. Acho que o melhor caminho, antes de me resolver e arrancar pela raiz o que produz esse mal, pode ser a emissão de um passaporte, a escolha de um lugar legal para começar um novo estilo de vida e estar aberto a aprender coisas novas...

Chega de uma vida onde só o celular conectado serve de janela para observar aquilo que sonho em fazer. Amo esportes radicais, cultura underground e arte em geral, mas meu único contato com essas coisas que tanto me agradam tem sido apenas de forma virtual (redes sociais e canal off). Por isso, acho que é hora de buscar um tato com aquilo que vai me proporcionar mais alegria do que apertar os velhos parafusos de sempre.

Por enquanto é isso...

Fevereiro de 2015


Bruno Carlos

Paulistano, estudante de comunicação, apaixonado por artes em geral e esportes radicais. Do tipo que sonha acordado com facilidade, buscando de alguma forma melhorar sempre que volta pra realidade. .
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