lanterna cultural

Uma luz em tempos sombrios

Douglas Lobo

Sou um escritor que busca a simplicidade, nesta época em que ser complicado tornou-se "cool".

Pelo fim da contribuição sindical obrigatória

A contribuição sindical obrigatório é utilizada hoje para os fins políticos dos partidos de esquerda. Por isso, deve ser extinta.


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O governo Temer está sob protesto desde o primeiro dia. Greves, manifestações, vandalismo, ações em massa nas redes sociais...

Em todos esses protestos, o discurso é o mesmo: trata-se de um governo ilegítimo, porque golpista. O “golpe” teria como agentes, em primeiro plano, o PMDB, partido do vice-presidente que assumiu a presidência; em segundo, os Estados Unidos, interessados no pré-sal brasileiro e, portanto, agindo nos bastidores para destruir a imagem da Petrobras.

Desconsiderando-se a comicidade, o que chama atenção de fato em muitos desses protestos é os recursos de que se utilizam. Transporte, carros de som, blusas, faixas, cartazes, fantasias, alimentação...tudo organizado em rede, o que demanda trabalho e dinheiro. Não se tratam, pois, de desvalidos ou estudantes humildes indo protestar. Tratam-se de militantes financiados, direta ou indiretamente.

Resta saber: por quem?

É provável que haja várias fontes de financiamento. Uma porém pode ser apontada com segurança: a máquina sindical. Em muitos dos protestos ocorridos até agora, a presença dos sindicatos foi ostensiva. Em várias das greves convocadas recentemente, o discurso do “golpe” — ou de seus desdobramentos — têm sido a ênfase.

Isso não é de espantar: desde a emergência do “novo sindicalismo”, no fim dos 1970, os sindicatos têm sido uma das bases materiais da hegemonia esquerdista — já fornecendo transporte e alimentação aos militantes, já infiltrando-se nas corporações, já financiando pesquisas e institutos para fortalecer a narrativa da esquerda etc.

Na guerra política, os sindicatos cumprem um papel dos mais importantes.

Mas de onde vem o dinheiro?

De um mecanismo criado em 1943 pelo governo Vargas: a contribuição sindical.

Ela surgiu para financiar sindicatos, federações e confederações. A partir de 2008, por meio de lei, estendeu-se também às centrais sindicais. Ela é compulsória, abrangendo trabalhadores sindicalizados ou não. Anualmente, a contribuição arrecada cerca de R$ 3,2 bilhões, que são repassados pelo governo às entidades sindicais, beneficiando no mínimo 8.518 sindicalistas, de acordo com o site Contas Abertas.

Por ser um instrumento compulsório do Estado, a contribuição sindical está obviamente vinculada ao papel legal das entidades sindicais, qual seja, o de representar os empregados junto aos empregadores.

A questão é: os sindicatos fazem isso?

Não, não fazem.

No Brasil, as entidades sindicais são aparatos para assegurar a hegemonia esquerdista.

E os empregados, massa de manobra.

E isso não é de agora.

Já em 1959, em sua mensagem de fim de ano, o presidente Juscelino Kubistchek denunciava, nas greves que então ocorriam no país, a infiltração de idéias políticas radicais nas entidades sindicais.

Nos anos 60, surgem as ligas camponesas. A filiação política delas com a esquerda era óbvia em suas mensagens. Sob o pretexto da reforma agrária, as ligas levaram o radicalismo ao campo, criando o mito de que o problema do trabalhador agrário seria resolvido com a posse da terra (narrativa que resistiu até ao desmonte que um marxista, Caio Prado Júnior, fez da mesma em 1964).

Ao fim dos anos 70, o sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista promove uma greve que acaba por levar à fundação do PT. A partir daí, os sindicatos seriam instrumentos sob comando do partido, ajudando a sigla, por exemplo, a se opor aos vários planos econômicos que tentavam estabilizar a inflação.

Agora, os sindicatos seguem a orientação, do PT e de seus satélites, de se oporem ao “golpe”. O componente político é evidente nas greves e negociações promovidas recentemente. Algumas entidades sindicais não hesitaram em se posicionar, por exemplo, contra a redução opcional da jornada de trabalho, contrariando a base de trabalhadores. Boas propostas pelos empregadores foram rejeitadas, com o óbvio objetivo de perpetuar a dissidência, o embate.

Os líderes sindicais não representam os trabalhadores. Seu compromisso é com os partidos políticos de esquerda. Dito isso, fica a pergunta: por que tirar compulsoriamente dinheiro dos trabalhadores para financiar sindicatos que, desvirtuando seus objetivos, servem a um grupelho de partidos políticos?

Agindo assim, os sindicatos atuam no limiar da lei. Afinal, a contribuição sindical é na prática um imposto, vinculado legalmente à determinada atividade, que os sindicatos distorcem. Como parece ter ocorrido, por exemplo, em uma das campanhas de Lula: a acreditar em um dos participantes, o dinheiro teria ido para o caixa da campanha, e não para as atividades sindicais.

Mesmo que isso não seja verdade, o fato é: qualquer entidade sindical que use o dinheiro da contribuição para exercer atividade político-partidária, fugindo à vinculação legal do imposto, constrói na prática uma caixa 2. Longe de mim negar que a hegemonia da esquerda tem um componente cultural, que não pode nem deve ser ignorado. Essa hegemonia é tão forte que a narrativa esquerdista está em todo lugar, para onde quer que nos viremos. Como se já vivêssemos no livro “1984” de George Orwell.

Mas não podemos perder de vista o principal: como essa hegemonia foi obtida?

Com dispêndio de recursos. Fosse o investimento das grandes gravadoras na MPB, fosse os recursos da Embrafilme para os cineastas, fosse o financiamento — direto ou indireto — dos governos petistas a ONGS, ao MST etc. – fosse o que fosse, não faltou dinheiro para a máquina esquerdista.

Toda hegemonia tem uma base material. A da esquerda não é diferente.

Não se trata de defender aqui, de maneira simplista, que a extinção de recursos implique na extinção imediata (ou mesmo a médio prazo) da hegemonia. Esta tem que ser combatida também no campo propriamente intelectual e narrativo. Trata-se porém de defender o uso de uma das estratégias básicas para se derrotar um adversário: privá-lo dos recursos materiais.

Extinguir a contribuição sindical obrigatória (ou torná-la voluntária) é um dos primeiros passos para a destruição da hegemonia esquerdista.


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