lanterna cultural

Uma luz em tempos sombrios

Douglas Lobo

Escritor e jornalista. Autor dos romances "Terra Amaldiçoada" (2015) e "O Último Natal de um Homem Rico" (2018). Escreve para adultos que ainda se lembram da magia de boas histórias.

O Mercado Editorial em 2018

O último levantamento do PublishNews referente ao mercado editorial brasileiro em 2018 joga por terra a ideia, disseminada em não poucos círculos, de que brasileiros não são grandes consumidores de ficção. Pelo contrário. Livros do gênero ocuparam o terceiro lugar de vendas no ano, com participação de 19% no mercado. A surpresa maior é que as obras de ficção mais vendidas em 2018 tenham sido de autores nacionais, o que quebra outro mito: o de que os leitores brasileiros preferem ficcionistas estrangeiros. Talvez seja hora de jogarmos fora algumas ideias preconcebidas, nunca questionadas, e arriscarmos novas soluções de negócio.


O último levantamento do PublishNews referente ao mercado editorial brasileiro em 2018 joga por terra a ideia, disseminada em não poucos círculos, de que brasileiros não são grandes consumidores de ficção.

Pelo contrário.

Segundo os dados (ver gráfico), livros de ficção ocuparam o terceiro lugar de vendas no ano, com participação de 19% no mercado. O primeiro lugar ficou com obras de autoajuda (28%). Em segundo vieram as infanto-juvenis (21%), em quarto as de negócios (17%) e em quinto as de Não-Ficção (15%).

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Ocupar o terceiro lugar em vendas, num ano em que foram vendidos 5,7 milhões de exemplares, já é relevante por si só. A surpresa maior no entanto é que os livros de ficção mais vendidos em 2018 tenham sido de autores nacionais, o que quebra outro mito: o de que os leitores brasileiros preferem ficcionistas estrangeiros.

Mais surpreendente ainda é que o livro mais vendido dentre os de ficção, "Textos cruéis para serem lidos rapidamente", seja um livro de poesia, gênero tido como de venda difícil. Trata-se de uma coletânea de poemas publicados em redes sociais, ou seja, que se utilizou dos meios digitais na produção e divulgação - e talvez isso explique o sucesso.

Os dados me levam a refletir em algumas verdades do mercado editorial, ditas e repetidas. A primeira delas, já referida, é a de que brasileiro prefere ler Não-Ficção, isto é, biografias, livros-reportagem, ensaios, estudos etc. A pesquisa não endossa essa impressão, que talvez seja só reminiscência de tendências anteriores do mercado.

A segunda verdade a se refletir, também já mencionada, é a de que os leitores brasileiros preferem ficção escrita por estrangeiros. Isso simplesmente não se reflete nos livros de ficção mais vendidos. É complicado concluir algo sem dados mais completos, que ainda irei buscar (quanto de ficção nacional está nestes 19%?), mas lanço as perguntas:

Será que a estratégia adotada pelas editoras nos últimos anos, de pagar caro pelo direito de publicar autores estrangeiros, com traduções também caras, não está errada?

Investir no autor nacional não seria uma estratégia mais lucrativa, já que se eliminam os custos de compra de direitos e tradução?

Com as vantagens que o marketing digital oferece, a custo baixo, não é possível fazer um autor nacional alcançar um público amplo, como parece ter sido a estratégia usada pela coletânea de poemas?

O mercado editorial passa nesse momento por uma transição. Talvez seja hora de jogarmos fora algumas ideias preconcebidas, nunca questionadas, e arriscarmos novas soluções.

Mais informações sobre a pesquisa podem ser acessadas aqui: https://goo.gl/jKyHex


Douglas Lobo

Escritor e jornalista. Autor dos romances "Terra Amaldiçoada" (2015) e "O Último Natal de um Homem Rico" (2018). Escreve para adultos que ainda se lembram da magia de boas histórias. .
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