CLEÂNE ALVES

"... A paz em cada gesto que faça..."

QUEM É ELE? É O MACUNAÍMA DE SEU MÁRIO: UM TITULO TIPICO DO ESCRITOR

Macunaíma É um grito contra a hipocrisia da criação das personagens do Brasil. Um herói “sem nenhum caráter”, chamado assim pelo próprio escritor, é o que se diz da personagem de Mário de Andrade . “A Ursa Maior é Macunaíma. É mesmo o herói capenga que de tanto penar na terra sem saúde e com muita saúva, se aborreceu de tudo, foi-se embora e banza solitário no campo vasto do céu.”


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Mário de Andrade nasceu em São Paulo em 09 de outubro de 1893 e foi um dos expoentes do Modernismo brasileiro. Para ele era preciso olhar para o presente com propostas novas e inventividade e lembrar do passado como elemento para reflexão e não repetição. Por isso, uma de suas obras mais conhecidas, Macunaíma, revela-se num desejo de mostrar ao povo brasileiro a cultura do próprio povo brasileiro.

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Em Macunaíma, Mário de Andrade faz um trabalho que parece antropológico quando observado a montagem das personagens e a mistura de figuras que se coadunam e se conflituam para representar situações diversas nas regiões brasileiras. O regionalismo não é desempenhado por figuras óbvias ou estereotipadas, e sim por personagens complexos. Ao que parece, se até aquele momento, os personagens nacionais, considerados heróis, eram um “arremedo” dos europeus ou apenas seus “súditos”, então, Mário cria a personagem composta por todas as qualidades e os defeitos possíveis a um brasileiro comum.

Nesse romance, o herói nasce numa tribo indígena e tem como caraterísticas marcantes a preguiça e a travessura. Uma personagem que comete deslizes e que precisa usar de sua esperteza para conseguir reaver seu muiraquitã. Apesar de ser uma obra de valorização do povo brasileiro também faz críticas e ironias que mexem com o imaginário do leitor, exemplo disso, é a linguagem usada, muitos termos indígenas, que pode ser uma crítica ao hábito da sociedade da época de ser muito apegada aos estrangeirismos, mas não conhecer a linguagem real e efetiva de alguns habitantes (os primeiros, diga-se) do território nacional.

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O escritor atuou como cronista, contista, romancista, poeta, crítico literário e de artes plásticas, folclorista, etnógrafo e musicólogo e em todos esses campos seu trabalho esteve voltado para registrar das manifestações populares. Em 1930 o folclore musical das regiões Norte e Nordeste começaram a ser gravadas em discos, isso sob a liderança do escritor.

As principais obras do autor, entre poesias, romances, contos, crônicas e ensaios, são: Há uma gota de sangue em cada poema; Pauliceia desvairada (publicada no mesmo ano da Semana de Arte Moderna); O losango cáqui; Clã do jabuti; Amar, verbo intransitivo; Macunaíma; Primeiro andar; Contos novos; Os filhos da Candinha; A escrava que não é Isaura; O Aleijadinho de Álvares de Azevedo; O movimento modernista, entre outros. Mário de Andrade morreu no ano de 1945, em São Paulo, mas certamente seu rico trabalho em todos os campos em que atuou foi e continuará sendo fonte de conhecimento e caminho para novos desafios.

Referência web das citações: http://download.baixatudo.globo.com/docs/Macunaima.pdf


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"... A paz em cada gesto que faça...".
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