letrismos

Era só pra deixar a música tocando mas quando me dei conta já estava escrevendo

Ana Clara Alves Ribeiro

Advogada, tocantinense, pisciana com ascendente em Gêmeos, apaixonada por música, arte, cultura, entretenimento, humanidades e tudo que envolve criatividade, cores, palavras, ângulos, sonhos, possibilidades, conexões...

A era dos mundos individuais

Cada ser humano é único e nenhum deles quer mais ser enxergado como só mais um na multidão. Quem não perceber isso não vai conseguir ter sucesso hoje. Essa é a era “eu sou especial”.


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Esqueça abordagens de massa. Esqueça comunicações padronizadas. Esqueça qualquer tipo de contato, estratégia ou pensamento baseado em ideias de massificação. Não existe mais homogeneidade. Na verdade nunca existiu, mas hoje sequer a presunção de homogeneidade funciona. A cultura de massa já não tem mais a força de outrora.

Essa é a era dos mundos individuais. É a era “eu sou especial”. As pessoas querem se sentir especiais. As pessoas estão tomando consciência de que são únicas, são um mundo de potencialidades, e estão fazendo suas escolhas visando a relações e coisas que validem isso. O impacto cultural da popularização dos smartphones nos mostra que essa é a era “eu faço minhas escolhas” e “eu posso ser quem eu quiser”.

Por que é tão viciante navegar pelo seu smartphone? Porque ele é o seu mundo. Ele é seu e tudo que há nele reflete o seu gosto, a sua vida. Você programa o seu mundinho, com os seus aplicativos favoritos, você forma a sua própria timeline da rede social, seguindo quem você quiser, escolhendo o que é que você quer ou não quer e ler, quem você quer ou não quer ver. Você molda o seu universo conforme aquilo que te interessa.

Your phone, your style, your world.png Seu celular, seu mundo, seu estilo, suas regras.

Você pode tomar café da manhã com o seu artista favorito: basta checar o Instagram ao acordar e lá vai ver uma foto que ele ou ela acabou de postar do waffle ou do cappuccino que está tomando em um hotel cinco estrelas antes de viajar para o próximo show.

Tédio? Pegue o celular que passa. Nada melhor que um game ou que as atualizações do Snapchat para animar uma tarde parada.

Autoestima baixa? Sentindo-se feio? Escolha um ângulo melhor e coloque um filtro bacana na sua foto. Existem até aplicativos para adicionar efeitos artísticos e exercitar seu lado designer gráfico.

Com o seu celular você pode ser quem você quiser. Você pode escolher qual lado da sua personalidade vai ser mostrada ou escondida, qual habilidade será potencializada, qual aspecto vai ser priorizado.

Você pode ser modelo, se aprender a dominar a arte da selfie. Ou pode ser escritor, se souber escrever textões que atraiam muitas curtidas e comentários. Tudo parece tão fácil. O que você quer ser? Você pode. Basta saber usar as ferramentas.

Com o seu celular você pode construir o seu mundo do jeito que lhe parecer ideal. Desde o papel de parede (com aquela foto que você tirou naquele dia em que estava se sentindo incrível, e que você coloca ali para lembrar que sim, você é lindo) até a escolha dos aplicativos e das pessoas que você segue, tudo é posto sob medida para você. Há poucos momentos em que você se sente tão você mesmo, como no momento em que você está usando seu celular.

Usando o celular.jpeg

As pessoas estão começando a enxergarem a si mesmas como seletoras do conteúdo que querem consumir e como moldadoras da imagem que querem passar aos outros.

Por isso a cultura de massa está lentamente perdendo força. Por isso o marketing de massa já não funciona mais. Por isso a customização e o branding emocional são tendências cada vez mais fortes. Por isso os profissionais da tecnologia, da administração, do direito, da publicidade, do entretenimento e de várias outras áreas estão priorizando cada vez mais a segmentação de mercado, o atendimento personalizado, entre outros comportamentos que estão voltados a observar e atender as peculiaridades de cada cliente/consumidor.

Essa é a era dos pequenos mundos particulares criados e ajustados conforme os gostos e necessidades de cada pessoa. Você pode enxergá-la da maneira que quiser: pode enxergar apenas o egocentrismo e filosofar rançosamente sobre como a superficialidade tem predominado e sobre como os modernos celulares têm deixado as pessoas menos sociáveis... Ou pode enxergar o fato de que as pessoas têm parado para buscar conhecer a si mesmas, explorar seus potenciais, seus sonhos, suas paixões, decidir o que querem ser, quais são seus valores e seus desejos.

É você quem escolhe qual olhar vai ter sobre essa situação. Lembre-se que, fora do celular, você também tem a capacidade de transformar o seu mundo e escolher qual o melhor ângulo para ver as coisas.


Ana Clara Alves Ribeiro

Advogada, tocantinense, pisciana com ascendente em Gêmeos, apaixonada por música, arte, cultura, entretenimento, humanidades e tudo que envolve criatividade, cores, palavras, ângulos, sonhos, possibilidades, conexões....
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