lições de partir

É preciso partir para buscar ser inteiro outra vez. E é essa busca que reparto por aqui.

Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/

Vamos a mais um tratamento de choque

Senta aí, amiga. Solta a garrafa de conhaque e vamos conversar de novo.


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Primeiro, larga a garrafa de conhaque. Não, eu não deixei a garrafa de conhaque aí pra você se atracar com ela. Por que diabos eu ia te esperar com conhaque? Você não tem resistência nem para licor de menta. Ela estava aí na mesa porque eu ia flambar a carne do estrogonofe para o almoço. Seria um domingo normal e meu único risco era botar fogo na cozinha com o procedimento.

Mas aí você ligou dizendo que ia tentar o suicídio. E a última vez que fez esse anúncio se perdeu no centro de São Paulo, tentando achar o Viaduto do Chá. E ainda me disse impropérios quando perguntei por que não pediu informações sobre como chegar lá.

Mas conta. Foram à festa? E você colocou aquele vestido parcelado em 12 vezes, que tinha a nobre missão de botar seus peitos pra jogo? Tá. E ele nem comentou nada? Talvez tenha sido melhor assim.

Mas todo mundo reparou no seu... look? Sim, acredito. Quem não olhou por gosto, olhou por desgosto. Não, não tem nada de errado com a peitaria. Mas o fato de não ter nada errado com certas partes do corpo, que normalmente ficam cobertas em situações sociais, não as habilita a entrarem em cena em uma festa de formatura.

Não era festa de formatura? Era o casamento da filha do chefe dele? Na igreja?

Abre o conhaque. Vou pegar os copos.

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Vamos revisar e me corrija se estiver errada: ele não queria te levar porque tinham terminado. Você insistiu. Ele reconsiderou, provavelmente temendo alguma represália de proporções norte-coreanas. Você colocou na cabeça que precisava reconquistá-lo e que seria uma noite inesquecível. Para o intento, comprou o vestido mais curto, mais justo e mais decotado que encontrou, achando que seus atributos – que, até onde eu sei, já eram conhecidos dele – fossem também apresentados a todo o staff da empresa. Parece que a noite inesquecível você conseguiu promover sim. Ele continua empregado?

Não, eu não acho que é fácil. Se tem uma coisa difícil nessa vida é se sentir preterido. Mas garanto que não é pagando de periguete que se reverte isso.

Aí que está: às vezes nem reverte porque não é para reverter. Eu sei que a olho nu fica difícil acreditar, mas você é uma menina inteligente, cordial, espirituosa. E louca. Nenhum problema em ser louca, somos todas. Mas, no seu caso, a maluca está comendo as outras pelo pé, sabe? Tipo um desequilíbrio na cadeia alimentar.

Lutar por seu amor? Olha, nem se as famílias fossem Montecchio e Capuleto. Com Shakespeare isso já deu merda. Não se luta por alguém que não quer você. Use suas armas para lutar contra isso e a seu favor. Parece muito heroico dizer que vai “lutar por amor”. Tenho curiosidade em saber como se convence o outro a te amar. Engravidando? Fazendo declaração de amor pública e patética? Levando bolo para a pretensa sogra? Indo ao casamento da filha do chefe vestida de biscate?

Não grita! Foi só um exemplo.

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Sabe, existem momentos de olhar para dentro de si com a mesma coragem com que se abre a fatura do cartão de crédito, sabendo que o que está ali pode não agradar, mas precisa ser encarado. Tempo de hibernar, de mergulhar nas profundezas do eu, corrigir falhas geológicas e descobrir que o caminho para o encontro consigo mesma é o melhor atalho para encontrar esse outro tão almejado, que, na maioria das vezes, nem é o ator que ocupa a cena no momento.

E quando esse dia chega, pode ir à festa vestida de você que o sucesso será garantido. No dia seguinte, se rolar ressaca, vai ser derivada dos excessos de quem bebeu para, realmente, festejar a vida.


Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/ .
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