lições de partir

É preciso partir para buscar ser inteiro outra vez. E é essa busca que reparto por aqui.

Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/

A vida por um “se”

Acontece por um triz. Um pequeno gesto, uma única palavra dita ou calada desvia nossa vida para caminhos que não eram os que gostaríamos de ter trilhado. Mas a constatação só acontece depois, quando não há mais retorno à vista.


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Bastava ter segurado minha mão mais forte ou por mais tempo. Eu entenderia que não era hora de ir. Você me encontrou no meio da multidão, mas esqueceu de achar meus olhos para dizer a sua verdade. Você não acreditou que essa verdade poderia ser a minha também.

Eu fui. Voei mundos, mudei de roupa e de sonhos. Mudei de vida e de princípios. Encontrei pessoas e me desencontrei de mim. Tantas vezes eu olhei para trás. Tantas vezes procurei por aquela mesma mão. Ora para me acompanhar, ora para me ajudar a levantar.

Desisti de te encontrar por caminhos que não eram os seus. De te encarcerar num baú de lembranças porque a arca nunca fechou. E inventei um você só para mim, um que aceitou, sem resistência, morar nos meus pensamentos. Aquele cuja biografia ainda se escrevia em meia dúzia de páginas. Um você que me queria.

E assim nos encontramos em noites estreladas, com lua sorrindo. Em praias desertas e outras nem tanto. Em ruas inóspitas e em corredores de hospital. Em festas, missas e velórios. Em camas mornas, em noites insones. Um você, que eu já nem sabia mais se era você. Mas que se mantinha comigo.

Na realidade, nossos trilhos haviam se descruzado e as linhas seguiam paralelas sem perspectiva de nova intersecção. Chegamos a nos ver pela janela, cada um tentando não descarrilar a própria sorte. E já estávamos em movimento tão acelerado que qualquer desembarque era improvável.

Sigo porque é o único movimento possível. Mas a cada nova estação meu olhar vai se apagando um pouco, depois de constatar que o você real nunca estará me esperando.


Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/ .
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