lições de partir

É preciso partir para buscar ser inteiro outra vez. E é essa busca que reparto por aqui.

Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/

Prefiro pesadelos

Sair da fantasia dos "bons sonhos" e ser jogado nos braços da realidade nua e crua. Compensa?


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Outra noite – ou já era dia? –, provavelmente naquela fase do sono denominada REM, tive um sonho lindo. E era exatamente o que havia desejado para o dia anterior, com todos os elementos que fazem o sonhar parecer tão verossímil: toques, cheiros, cores. Tudo tão acolhedor e com tanto gosto de felicidade.

Talvez, diante do meu desencanto por ir dormir sem ter vivido o que realmente queria, meu subconsciente resolveu me compensar, criando uma história ideal que me encheu de alegria, mas por poucos minutos. Até me jogar no colo de uma frustração maior ainda.

Por isso, assim que olhei para o teto e separei sonho e realidade, constatei: prefiro pesadelos.

O alívio de sair de um pesadelo e entender que aquilo tudo não representa a verdade é impagável. Depois que o coração se aquieta e a respiração volta ao normal, a vida real fica hospitaleira. Os maus sonhos funcionam como uma lição de moral, levando a uma sensação compensatória do “podia ser pior”. Eles não nos paralisam. Ao contrário: podem até funcionar como um recurso motivacional, mostrando o cotidiano por um ângulo mais otimista.

Já os tais “bons sonhos” são aquela visita a um mundo de fábula para experimentar a plenitude de um cenário perfeito, que parece possível, mas só parece. E promovem uma inversão de valores, fazendo da realidade o grande pesadelo. Quem não desejou enfiar a cabeça no travesseiro e seguir com as cenas do próximo capítulo depois de um sweet dream?

Lembrei dos votos de “bons sonhos” da minha infância. E ali – e talvez apenas ali, quando os percalços de gente grande não faziam o mínimo sentido e o despertar nada mais era que continuar a fantasia do lado de cá – os sonhos fizessem mais sentido do que dormir embalada por monstros e assombrações.

Hoje, sinceramente, prefiro não lembrar das atividades oníricas da madrugada. Mas, se não tiver escolha, opto pelo trem fantasma dos pesadelos porque deles sei que consigo desembarcar sem arrependimentos e em estações mais promissoras.


Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/ .
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