lições de partir

É preciso partir para buscar ser inteiro outra vez. E é essa busca que reparto por aqui.

Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/

Tô indo ali fazer o que quero e já volto

Parece um artigo feminista. Mas é um artigo feminino. Para quem entendeu que o ônus de ficar mais velha é mínimo diante do bônus de se despir de rótulos e ir em frente.


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Somos meninas. Princesinhas. Patricinhas. Vacas. Biscates. E, às vezes, todas em uma, depende de quem nos enxerga. Mas se tem uma coisa que a maturidade pode trazer é a certeza de que nenhum rótulo é definitivo. E, se o outro me vê como não sou, é uma pena. Pra ele.

A maioria de nós, da faixa dos 50, cresceu se apaixonando por príncipes, idealizando o “felizes para sempre”, esquecendo que esse capítulo nunca existiu nos livros que nos inspiraram. Coube a nós encarar o dia seguinte de cara lavada, sem saber direito o que esperar de casamentos e uniões estáveis. Estável? Uma união, por melhor que seja, está sempre sujeita a tempestades ou, no mínimo, a uma amplitude térmica de 30 graus em um dia. Não há nada mais instável do que uma união.

E ouso dizer que nós, as princesas, mudamos mais do que os príncipes, que, na maioria das vezes, ficam mesmo encantados. Prostrados. Observando, incrédulos, suas parceiras descalçarem o sapatinho de cristal para andar com mais segurança sobre os próprios pés.

E a gente vai gostando disso, de pisar o chão, deixando as próprias marcas. De entender que pernas são ótimas para emoldurar uma saia, mas são melhores ainda para nos levar por aí, para onde a gente quer ir.

“Você está tão diferente...”, vamos ouvir aqui e ali, uma crítica nada velada para quem transformação significa desconforto, perda de controle. Então, para esse público eu tenho uma má notícia: nenhuma de nós volta para a caixa depois de segurar as rédeas da vida.

Sabe aquela insegurança, aquele “não sei se consigo/posso/devo?” Esqueçam. Virou lenda urbana. Hoje o vestido cai bem, mesmo se não for para sua idade. A viagem para longe é marcada, mesmo sem companhia. Porque os vinhos, nos bares do mundo, também são servidos em taças.

Somos árvores, que não por acaso pedem artigo feminino. Crescemos para o alto, para ir além, enquanto ficamos cada vez mais firmes. Mas as folhas, essas serão renovadas a cada nova temporada.


Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/ .
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