lições de partir

É preciso partir para buscar ser inteiro outra vez. E é essa busca que reparto por aqui.

Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/

Na dúvida, procure a saída de emergência

Às vezes, o simples fato de saber que sempre existe uma maneira de escapar, já dá coragem e discernimento para encarar certos desafios


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Um amigo claustrofóbico, ao chegar em uma sala de cinema, procurava com os olhos a saída de emergência. Dizia que o acalmava saber por onde evadir rapidamente, caso a sensação involuntária ficasse insuportável. E parecia dar resultado: nunca o vi sair antes do término do filme e sempre pela porta convencional.

Para mim ficou uma lição: mesmo que a gente nunca use, precisamos entender que absolutamente tudo tem uma saída de emergência, que nos permite escapar quando o ficar causa angústia desmedida. Parece antagonismo, mas, para conseguir encarar alguns desafios, antes, devemos entender que eles não precisam ser, necessariamente, encarados. Dá para se desvencilhar a qualquer tempo. E só o fato de a saída estar ali, ao alcance, torna mais fácil concluir etapas pesarosas do dia a dia.

Mas quando um trabalho, um relacionamento, uma rotina, um curso configuram situações que não rimam mais com seu projeto de vida e imaginá-las como definitivas angustia, emudece, saca a vontade de sorrir, paralisa ou dá calafrios está na hora de bater em retirada. É um ato heroico para com você mesmo, uma chance de tentar de novo.

E não é covardia. Mesmo porque, correr para a saída de emergência tem consequências que tiram da zona de conforto e promovem turbulência e não: as máscaras de oxigênio não vão cair automaticamente e cada um terá que se virar com seu próprio fôlego. Críticas e julgamentos não faltarão no cardápio desse catering. Mas estava tudo bem, seguindo em velocidade de cruzeiro. Que doideira é essa?

Mas não é doideira não. Doideira é permanecer impassível, com cinto de segurança atado a uma situação que não te traz nenhuma alegria e gera muito estresse. E a conclusão é que é melhor saltar, mesmo sem saber direito a qual distância do chão está, do que esperar o avião te levar para onde você não quer mais ir.


Wal Reis

Jornalista, geradora de conteúdos editoriais, especialista em fazer 54 coisas ao mesmo tempo, incluindo escrever sobre o que realmente me importa. Procuro retratar nos meus textos a contramão da história, o lado menos óbvio e politicamente incorreto, aquele que mais se aproxima da realidade. Confira minha página "Em Outras Palavras", no Fabebook: https://www.facebook.com/porWalReis/ .
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