lisergia verbal

Crônicas sobre o cotidiano poético

Carolina Cruz

Publicitária, blogueira e nascida no Dia Mundial do Disco Voador. É baterista por diversão, adora rock progressivo, MPB, cinema e assuntos ligados à Neurociência.

Amores são como livros

Independentes, atemporais e fazem da razão o seu romantismo.


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“Amores são como livros.”

A expressão que mais gosto, durante uma ajuda desesperada a um amigo que sofria pelo término com a namorada. Ele terminou, queria voltar pelo costume de tê-la ao lado, mas queria seguir a vida pela experiência que já possuiu e tinha consciência que passaria de novo. Às vezes o costume é o “lobo” e o amor o “cordeiro” e nos enganamos pelo placebo emocional.

Depois de muita conversa e um par de ouvidos pacientes com a prolixidade do fracasso alheio, minha mente trabalhava num argumento mais tangível. Afinal de contas, nesses momento de desequilíbrio emocional não somos nada racionais e precisamos de um tapa na cara, seja ele físico ou emocional. Então soltei: “amores são como livros”.

E são!

Tenho uma prateleira vermelha em meu quarto em frente à minha cama, da qual dei uma breve observada nela agora enquanto escrevia. Ali tenho diversas coisas além da bagunça: uma pequena estatueta de Jack, dois gatos de porcelana, uma coruja de prata, três corujas de madeira asiática, um abajur e na parte de baixo dezenas de livros. Muitos deles já lidos, outros para ler e um estou lendo. A Psicanálise dos Contos de Fada.

Por ter lido muitos livros, tomei a literatura como a definição mais próxima de relacionamentos. Mesmo que estejamos lendo a descrição fictícia ou real de um outro autor, ela acaba se tornando a extensão de nós, porque nos envolvemos, porque nos identificamos. Criamos um compromisso de ir até o apêndice!

Têm livros que valem a pena uma segunda leitura. A história é aquela, não vai mudar se ler outra vez, mas há a possibilidade de um novo entendimento a partir do nosso amadurecimento. Têm outros que se tornam eternos livros de cabeceira. Não precisamos lê-los do começo ao fim. Não tem um fim. Mas em algumas noites antes de dormir você o abre e lê algumas páginas.

Nas cabeceiras geralmente estão os cronistas e os poetas. Ah, esse romantismo racional sempre sobressai. É como se propositalmente esquecêssemos seu conteúdo para nos impressionar constantemente com as mesmas palavras. Já dizia Nietzsche “A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.”

Criamos um elo com os livros assim como criamos com nossos amores. Todo livro é interessante, só precisamos compreender a história. Se ele vai se tornar um livro de cabeceira eu não sei, mas o conteúdo vai ficar na sua memória, nem que seja uma vaga lembrança sobre o assunto.

Sobre meu amigo?! A garota se tornou um livro de cabeceira, o cordeiro não tinha nada de lobo e do caos surgiu a calmaria. Fim.


Carolina Cruz

Publicitária, blogueira e nascida no Dia Mundial do Disco Voador. É baterista por diversão, adora rock progressivo, MPB, cinema e assuntos ligados à Neurociência..
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