lisergia verbal

Crônicas sobre o cotidiano poético

Carolina Cruz

Publicitária, blogueira e nascida no Dia Mundial do Disco Voador. É baterista por diversão, adora rock progressivo, MPB, cinema e assuntos ligados à Neurociência.

Bumerangue Político

A sazonalidade política pode levar a um retrocesso e muita gente não está prestando atenção nisso.


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É treze de março e o Brasil está confuso com sua economia toda desordenada, perdido em baderna, corrupção, roubalheira e inflação. Logo, a burguesia industrial paulista, a grande parte das classes médias urbanas e o setor conservador se uniram para restabelecer uma ordem democrática. Algo deveria ser feito urgentemente! E surgiu um movimento criado pelos meios de comunicação para convencer as pessoas de que o país desenvolveria um tipo de governo comunista, algo inadmissível, quando se diz que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.

Não citei o dia 15 de março, mas o fim do governo do presidente João Goulart, democraticamente eleito há cinquenta e um anos.

Dia 13 de março de 2015 não tem nada a ver com um futuro Regime Militar como o de 64, mas a preliminar falta de foco durante o protesto para o Impeachment de Dilma Rousseff, levando militares ao alto de um palanque para discursar sobre a volta da Ditadura poderia ser um caminho bem curto de um golpe de Estado.

Não, não estou a favor da presidente. Não votei nela no primeiro turno, mas digitei "treze" no segundo para não anular e diminuir a porcentagem de votos válidos. A Operação Lava Jato está aí para nos mostrar escancaradamente o desvio de dinheiro da Petrobras que foi feito para bancar sua campanha, sem contar as medidas econômicas adotadas, entre outros fatores que até mesmo a CUT e os movimentos sociais, que muitos acusam de cúmplices, criticam.

Entretanto, não acredito que um Impeachment ou intervenção militar possa revolucionar a política brasileira, até porque não há um líder de peso que endosse essa ação. Reforma Política tem mais coerência em um governo democrático, vulgo governado pelo povo. Garantiria a minha presença e a de muitos que ficaram em casa curtindo suas famílias e amigos no domingo do dia quinze de março.

Já dizia Geisel:

"O que houve em 1964 não foi uma revolução. As revoluções fazem-se por uma idéia, em favor de uma doutrina. Nós simplesmente fizemos um movimento para derrubar João Goulart. Foi um movimento contra, e não por alguma coisa. Era contra a subversão, contra a corrupção. Em primeiro lugar, nem a subversão nem a corrupção acabam. Você pode reprimi-las, mas não as destruirá. Era algo destinado a corrigir, não a construir algo novo, e isso não é revolução".

Apoiar os direitos trabalhistas, a democracia e ser contra o Impeachment não são fatores que me fazem apoiar o governo. Querem ser revolucionários? Façam algo novo, não queiram corrigir usando atitudes extremas e previsivelmente trágicas.


Carolina Cruz

Publicitária, blogueira e nascida no Dia Mundial do Disco Voador. É baterista por diversão, adora rock progressivo, MPB, cinema e assuntos ligados à Neurociência..
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