Luiza Cano

Única razão:
De poeta e louco todo mundo tem um pouco

O dia em que acordei de bom humor

Para os que acordam de bom humor:
se·gun·da·fei·ra
substantivo feminino
Segundo dia da semana, depois de domingo e antes de terça-feira.
Para os que acordam de mau humor:
Igualmente, e esse não é um manual.


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A segunda-feira foi intitulada como o dia nacional do mau humor, do sono, da preguiça, do desespero, ou seja, de todos os abalos terríveis que alguém pode sentir a partir de 23h59 do Domingo, mesmo que esse tenha sido o mais florido dos últimos tempos. Sua mente está programada a odiar segundas e por isso não consegue entender, mas sim, era segunda e eu estava de bom humor. E assim foi.

O relógio marcava oito horas da manhã, oito nunca foi um número tão lindo, e, logo, o símbolo do infinito começou a fazer sentido. A porta entreaberta demonstrava que a casa já estava apossada pelo sol. Sorri, e sem pestanejar disse:

— Nunca imaginei que fosse tão bom acordar mais cedo no Domingo!

Esperando o café ficar pronto, pude planejar meu dia inteiro, então, ia passear com os cachorros até a banca, comprar um jornal, e na volta passar na casa de uma amiga para comentar das últimas notícias, deixando de fora a página de política, queixar-me de alguma coisa, bater um papo, filosofar daquele jeito picaresco. Para o almoço uma macarronada temperada com manjericão. Sorvete para a sobremesa. Ia quase esquecendo-me de baixar um certo filme europeu, com nome grande e capa colorida, para assistir ao final da tarde e iniciar o relaxamento pré Segunda-Feira.

Feito o roteiro completíssimo fui para o banho.

O relógio marcava nove e meia quando comecei a secar o cabelo, entre uma música e outra, o som do secador pouco incomodava, foi quando recebi o telefonema que arruinaria todos os meus planos:

— Ô, cadê você? A reunião está marcada para dez em ponto! Todo mundo já chegou, e a senhorita?!

— Reunião? Volte a dormir e não beba tanto de madrugada para não pregar peças erradas. E, viu, acho bom que tome um banho frio, logo passo na sua casa!

— Em plena segunda-feira, você acha que, se eu pudesse mesmo, estaria acordada, bêbada provavelmente, mas, acordada?!

— Como-assim-segunda-fe... Puta-merda!

Talvez nem seja preciso comentar o restante, entretanto, minha camiseta ficou amassada; o primeiro sapato que apareceu , rasgando os calcanhares; minhas unhas roídas, e não há nada mais que possa ser dito, desisti, no meio do caminho já não me perguntava mais o motivo pelo qual enganei-me.

Como cheguei lá? Honrando a reputação da Segunda.

(Imagem: google)


Luiza Cano

Única razão: De poeta e louco todo mundo tem um pouco .
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