Luiza Cano

Única razão:
De poeta e louco todo mundo tem um pouco

Porque boys don't cry e garotas não merecem chorar

Não diz a respeito de machismo, femismo, ou de quaisquer “ismos”, mas de uma manifestação peculiar sobre determinadas mostras diárias de que as pessoas são aprisionadas por padrões sexistas ditos adequados em uma sociedade abundantemente diversificada.


_Sanit__rios_____4e038ff8f0bb4.jpg Não é pessoal, nem nada, mas olha aqui: Homens não choram, ou melhor, não deveriam. Faça-me o favor, os que assim fazem, choram, silenciosamente ou não, desejam somente se esconder atrás da imagem de um sentimentalismo barato em benefício próprio.

Tudo bem, pode até ser que ele tenha um espírito sensível, só que talvez fique feio se um cara se importar com detalhes de um jantar Sábado à noite, preparar uma massa ao molho Pesto, envolvido pelo som feminino de Aretha Franklin no seu apartamento sutilmente decorado, sem toalha jogada na cama ou copo sujo em cima da mesa; ou escolher o filme depois de servir a sobremesa e ao final sentir aquele desalento após um término não convencional, onde o casal se perde no relacionamento que, aos olhos dele, tinha tudo pra dar certo.

Não cai bem admirar o formato das flores, apontar suas cores ou identificar o aroma que elas exalam pela casa. Até mesmo estimar as múltiplas inteligências de uma mulher, combinando isto ao perceber de cada particularidade, como o modo em que as mãos tocam o cabelo ou se movimentam ao longo de uma conversa, o formato definido do rosto no momento em que ele se revela à luz do sol. A figura masculina não combina com cachorros de pequeno porte, com pelos fofos e macios, cheirando a baunilha.

Repare bem: cabelo curto, traz até ar de frescor, mas alguns são Joãozinhos demais para uma moça usar, quer se meter a aparência independente, segura de si, mas a verdade é que foi um gosto por fazer cena, um capricho a fim de receber alguns olhares interessados ou comentários acerca de seu feitio quase corajoso.

Nada que não deixe a mulher ser realmente independente, autoconfiante, livre, realmente desprendida, que não vê incômodo em estar com uma pessoa sem o menor compromisso. O problema é a aparência muito desconforme, não pega bem, ainda mais se ela possuir algumas tatuagens e um bocado de roupas confortáveis para sair na sexta-feira à noite porque não gosta e não tem a mínima vontade de fazer o jantar e logo em seguida cair no sofá para comer meia barra de chocolate; e nessa mesma sexta à noite levar uma bolsa qualquer sem carregar maquiagem com o intuito de ir ao banheiro usá-la de vinte em vinte minutos.

Não cai bem assistir ao canal de esportes radicais e admirá-los, sentir aquele frio na barriga ao subir no skate, ouvindo o som de uma banda periférica pouco conhecida, estimando a adrenalina que sente ao treinar todos os dias, mesmo levando alguns tombos pelo caminho que vão lhe custar pernas e braços roxos; muito menos se ela sair para passear com aquele Rottweiler preto e forte inicialmente criado por açougueiros. Vem cá, a sensibilidade feminina não deveria fazer par com esses tipos de atitudes.

Juro que continua não sendo pessoal, entretanto, é bom que cada um mantenha-se no devido ambiente, dentro dos padrões, porque se fugir deles ou é farsa, ou é erro.

(Imagem: Google)


Luiza Cano

Única razão: De poeta e louco todo mundo tem um pouco .
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