Luiza Cano

Única razão:
De poeta e louco todo mundo tem um pouco

Um ombro amigo para Janis Joplin

Sem contar suas inúmeras transgressões por conta de vícios - algo realmente chamativo em sua vida breve, diante da perspectiva de que ela teria chances de encontrar uma alegria diferente das várias deturpadas que experimentou, Janis era solitária. E, talvez por isso, uma cantora legítima e envolvente, fazendo de nós ouvintes, amigos.


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Janis Lyn Joplin, nomeada assim por seu pai, nasceu e cresceu em Port Arthur no Texas até encerrar o colégio e iniciar os estudos na Universidade do Texas. Influenciada desde muito cedo por grandes cantores do Jazz e Blues como Billie Holiday, Etta James, Aretha Franklin, Tina Turner e principalmente Bessie Smith, passou a cantar Blues e folk com colegas.

Uma mulher carregada de estilo hippie e psicodélico, não possuía uma única característica marcante, seu talento era inquestionável, e seu timbre singular era apenas uma denúncia de que ela conquistaria com êxito o universo do Rock’n’Roll. Logo, fez da música seu trabalho, e das drogas, refúgio à medida em que crescia o sucesso.

As questões não são os bens materiais que se tornaram ao alcance de Janis por conta de seu sucesso, ou a quantidade de bebidas e drogas que ela poderia consumir, ou como todas essas coisas e seus derivados começaram, mas a maior e mais importante questão é sua música como próprio tratamento para os incômodos de si mesma e da vida. É exatamente nesse aspecto que implica a relevância das pessoas enquanto ouvintes de suas inúmeras canções, uma vez que Janis usa a música para tratar a cicatriz. Tornamo-nos a cada acorde, a cada verso, receptores e, por vezes, ombros amigos.

Quando a voz imponente de Janis Joplin canta o primeiro “Cry...” sabe-se onde é seu lugar. É possível entender que se deve sentar e escutar o quanto é capaz de abrir mão de si e curar a dor do outro, objeto de amor, mas, perceber ao longo o dissabor que isso causa, e nos próximos minutos ter a certeza ao ouvir com todas as letras que ela ainda estará esperando em casa. Ouça "Cry Baby":

Ou no momento em que suplica a Deus para não deixá-la, ao passo em que sente-se solitária e inútil, não inserida em lugar de especial singularidade; com humildade e sutileza, Janis declara sua tentativa vã a respeito de buscar uma vida mais adequada. Acompanhada da guitarra, o choro não se faz, mas torna-se perceptível. Work me Lord:

Até mesmo quando interpreta umas das músicas de Nina Simone, Janis Joplin responsabiliza-se facilmente por Little Girl Blue, deixando transparecer a compatibilidade entre a canção e a artista, que agarrou-se à letra e tomou-a para si a fim de desembaraçar o emaranhado de dores que a tornaram a triste garota que era. Little Girl Blue:

Em todas as canções, Janis não necessita pedir para que emprestem o ombro e os ouvidos. Isso se faz claramente conforme a harmonia musical se completa. Há diversas canções, possíveis de serem encontradas em discos, em CD's e na internet, aconselháveis de escutar, mas vale o adendo: apenas se você disponibilizar-se em ser um amigo que ouve desabafos encalacrados, puramente, sem julgamentos.

(Imagem: Google)


Luiza Cano

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