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Um espaço sobre cultura literária e cinematográfica

Anderson Guerreiro

Assim como Clarice, um coração batendo no mundo.

Álvares, o poeta maldito

Em sua obsessão aos poetas fantásticos e sombrios e em suas leituras góticas incontestáveis, no delirar de Dante, Shelley e Byron foi que Álvares de Azevedo tornou-se esse poeta tão expressivo, tão apaixonado, tão melancólico e que traz uma inquietude tão forte que impressiona a quem o lê.


Quem, algum dia, já leu Álvares de Azevedo certamente concordará com o enunciado acima. É inegável a genialidade desse poeta ultrarromântico que viveu apenas 22 anos, mas deixou inestimáveis escritos que ultrapassam gerações e o fazem um dos melhores de toda a literatura brasileira, cativando leitores com sua genialidade e sua originalidade.

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1850, momento em que o Brasil passa por grandes transformações sociais, políticas e culturais, a literatura desse período é desenvolvida por meio de romances, contos e poesias à moda rotineira, folhetinesca. As obras do Romantismo são marcadas por temas nacionalista, indianista e urbanista. O índio é exaltado como herói, a fauna e flora são mostradas como exuberantes, isto tudo com o intuito de buscar a identificação do país, pelo anseio de independência, principalmente da literária.

Foi no período em que o Romantismo atingiu seu ponto culminante que surgiu o jovem poeta Álvares de Azevedo, ele foi o responsável pela radicalização da literatura do século XIX, período que ficou conhecido como Mal-do-Século. Para isso, o poeta rompeu com toda rigidez formal e com o padrão da produção literária daquele momento.

Amante de Byron, Musset e Dante, Álvares, juntamente com Fagundes Varela e Casimiro de Abreu, introduziu uma literatura nunca visto em escritos brasileiros. Dramas pessoais, imaginações fantásticas, experiências boêmias entrelaçam-se e criam uma excêntrica produção da literatura do nosso país. Suas obras, principalmente Macário e Noite na Taverna, são consideradas pela crítica com fantástica, perversa, satânica, macabra e fúnebre, características estas que lhe deram o título de “poeta maldito”.

Em sua juventude, o poeta participava de diversas comunidades joviais boemias, o que favorecia sua participação em orgias famosas, tanto pela devassidão escandalosa, quanto por seus aspectos mórbidos e satânicos, o que sobressaíram em suas poesias e estórias. Diversos críticos literários apontam que Álvares de Azevedo, absorto do pensamento da morte, só se preocupava com o lado noturno, tais como as sombras, o crepúsculo, a noite, os túmulos. Suas obras situam-se entre o horror de Poe e Hoffmann e a perversão de Byron e Baudelaire. Da biografia de Álvares de Azevedo, destacam-se Noite na Taverna e Macário.

NOITE NA TAVERNA (1855)

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Noite na Taverna foi publicado pela primeira vez em 1855 em um dos volumes que compõe as Obras de Alvares de Azevedo. O livro é composto por uma série de contos fantásticos e trágicos repletos de vícios, devassidões e crimes. As personagens são cinco homens e seus relatos giram em torno do drama e da morte. Embriagados, estão reunidos em uma sombria taverna, narrando e discutindo seus derradeiros casos amorosos. Trata-se de uma obra fantasiosa e de pura imaginação, a linguagem é marcada por hipérboles e reticências. Noite na taverna se destaca, segundo os críticos, como o mais típico produto de influência byroniana no Brasil.

MACÁRIO (1852)

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Macário, talvez sua obra-prima, é um drama dividido em dois episódios o primeiro decorre “numa estalagem de estrada”, e o segundo “na Itália”. A peça, deixada incompleta pelo autor, é contada por meio de um diálogo entre um moço (Macário) e Satã, na qual é discutido temas ligados a poesia, mulheres, amor ideal. Muitos críticos consideram a obra como dramática, há que considere extravagante e sem sentido, ao passo que muitos consideram simplesmente genial.


Anderson Guerreiro

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