lívia mendes

Alimentando a alma, aquecendo o coração e instigando o pensamento

Lívia Mendes

Arquiteta e urbanista que se apaixonou por observar e registrar as pessoas, a natureza e o construído em convívio. Nas esquinas dos encontros, nos sorrisos espontâneos, na simplicidade do florescer...um ser em descoberta constante.

Das escolhas inconscientes

De todo a nossa capacidade de livre arbítrio, há decisões que nos direcionam a desvendar o ser que somos. Sem entender, sem compreensão racional, o "eu" torna-se mais livre e é descoberto como quem se contagia de tanta satisfação por ter-se encontrado.


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Tudo teve início quando ela pensou no que poderia se transformar, com o que poderia contribuir minimamente para a construção de uma vida. A sua vida, vida daqueles que estavam por perto, a vida de quem ela contagiaria.

Apostilas, conversas produtivas, testes, tudo para que pudesse se direcionar. É claro que esta escolha não a determinaria como pessoa, pois com o próprio "pequeno príncipe" aprendeu que idade, profissão e características físicas não definiam quem eram as pessoas. Mas ela acreditava poder viver como quem lhe servia como exemplo.

Como haviam dúvidas, parte inerente de uma pessoa indecisa, tentou duas. Duas escolhas dentre muitas era um avanço considerável para ela. Dias antes, ela desistiu de uma e mergulhou em uma nova esfera. Ampla e extraordinária, ela descobriu que as cidades são mais imensas do que o olhar pode ver.

Esteve disposta a caminhar durante cinco anos, com gente nova (em todos os sentidos da expressão) e aprender a conviver com as diferenças de opinião. Saiu do seu círculo de amizades, das suas conversas ainda ingênuas, e lutou contra pensamentos negativos diante de sua escolha.

Foi em uma escola de pensadores da sociedade e do urbano que seu mundo transformou-se. Havia coerência em tudo o que era projetado na cidade, nos encontros das esquinas ou na visibilidade pretendida nos espaços sem elas.

Seja como for, uma visão mais aguçada foi desenvolvendo-se e não só de projeto. Havia mais atenção no modo como as pessoas se apropriavam de um museu, nos "caminhos de rato" que trilhavam em um terreno sem construção utilizado como passagem, nos comentários feitos assim que viam uma obra urbana.

Uma sensibilidade que instigou outras áreas. Um projeto de vida que se desenhava na mente daquela garota. Uma garota que se satisfazia expressando os sentimentos, instigados por sua escolha, em uma folha de papel.

Diziam que ela estava sendo levada por outros caminhos, mas ela sentia que não era bem assim. Foi a partir de uma opção, de uma tentativa, de sua vontade em arriscar (uma vez que seja), que ela desvendou o seu mundo. Não era novo porque estava ali há tanto tempo, mas era visto por outras lentes. Um filtro que a levava a outras esferas e que a instigava ao bem, a um objetivo pleno.

Não por acaso, os caminhos conscientes levam os indivíduos a rumos inconscientes. Do seu poder de livre arbítrio, foi direcionada a um lugar desconhecido. Desconhecido num momento inicial, mas que parecia estar dentro de seu coração há incontáveis anos.


Lívia Mendes

Arquiteta e urbanista que se apaixonou por observar e registrar as pessoas, a natureza e o construído em convívio. Nas esquinas dos encontros, nos sorrisos espontâneos, na simplicidade do florescer...um ser em descoberta constante..
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