lívia mendes

Alimentando a alma, aquecendo o coração e instigando o pensamento

Lívia Mendes

Arquiteta e urbanista que se apaixonou por observar e registrar as pessoas, a natureza e o construído em convívio. Nas esquinas dos encontros, nos sorrisos espontâneos, na simplicidade do florescer...um ser em descoberta constante.

De gostos e sentidos

Por vezes, fazemos referência ao “gosto arquitetônico” como uma opinião indiscutível que deve ser tratada com a mesma cautela que assuntos relacionados à religião ou política. No entanto, é certo que apenas com questionamentos, o homem pode transformar-se, formar ideias e evoluir. Com Artigas, um universo distinto do vigente tomou forma ao incorporar conteúdos que fizeram o homem pensar seu modo de viver e habitar o urbano.


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Fonte: google

Na arquitetura, gosto é discutível sim! Foi com esta frase que o curso de Arquitetura e Urbanismo foi introduzido para uma classe de trinta rostos distintos. Recém-saídos do lar familiar e dispostos a encontrar-se em uma profissão, eles reuniram-se para, durante cinco intensos anos, apreenderam o ambiente e espaço que os rodeava. De todos os gostos, a arquitetura apresentava-se. Havia quem achava enobrecedor ser clássico, quem queria desprender-se do realismo, quem queria esmiuçar as possibilidades dos materiais, quem queria transformar o pensamento dos homens. “Admiro os poetas. O que eles dizem com duas palavras a gente tem que exprimir com milhares de tijolos.” ―João Batista Vilanova Artigas

De maneira sucinta, encontra-se o pensamento norteador dos feitos de um arquiteto brasileiro que completaria 100 anos em 2015. Sua visão sobre arquitetura é comparada ao dos poetas na maneira de projetar um espaço como quem domina com perspicácia os sentidos das palavras. Não basta saber o trivial ou o sentido literal, de metáforas também é feita a literatura. Há poética nas paredes de concreto ao flertar com o meio circundante. A natureza chega junto ao humano e sensibiliza o indivíduo que habita o urbano. Suas composições são homogêneas ao demonstrar em cada gesto uma mesma intenção, mas elas sinalizam as divergências presentes na cidade. Sua obra apresenta sua singularidade, o seu “eu” expresso nos ambientes que projetou. Perpassou a sua existência e continua sendo o mestre dos construtores dos espaços urbanos. Quem não associa o termo “Salão Caramelo” ao local de manifestação dos ideais, de convergência e divergência de interesses, de debates, de encontros? Como é possível um local abrigar tantas atividades? Atividades de aprimoramento do intelecto humano e ainda de aprendizagem moral ao possibilitar o coexistência de seres com vontades e desejos contrários? Havia a necessidade de destacar a individualidade ao possibilitar espaços amplos. A circulação não era tratada por suas mãos, mente e projetos como um espaço perdido. Nem sempre o que é necessário precisa ser fixado no papel como algo fechado, é possível transformá-lo com suavidade, ser agradável. Por meio de rampas, o percurso pode ser sentido calmamente. Caminhe mais, permita ser acessível a todos, possibilite o encontro, onde a conversa pode acontecer. Abuse das variedades formais e estruturais dos novos materiais para expressar as suas crenças projetuais em concreto. Intrínseco à sua metodologia, estava a questão do público e coletivo. Possível de ser apreendida quando os limites entre exterior e interior tornava-se muito tênue. Laje e céu; parede e natureza; dentro e fora; social e serviço; construtor e construído. Sua obra, composta pelos projetos desenhados e executados além de ideais difundidos pelo tempo e espaço, tem o poder de ser transformadora e transcendental. Vontade de expressar suas ideias e demonstrar que o fio condutor do seu pensamento poderia culminar em um projeto concretizado. Buscou transpor a linha de conforto da maneira de entender o projeto arquitetônico vigente. Conseguiu mostrar que o gosto é individual, mas é discutível a partir do instante que há argumentos para afirmá-lo.


Lívia Mendes

Arquiteta e urbanista que se apaixonou por observar e registrar as pessoas, a natureza e o construído em convívio. Nas esquinas dos encontros, nos sorrisos espontâneos, na simplicidade do florescer...um ser em descoberta constante..
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