lívia mendes

Alimentando a alma, aquecendo o coração e instigando o pensamento

Lívia Mendes

Arquiteta e urbanista que se apaixonou por observar e registrar as pessoas, a natureza e o construído em convívio. Nas esquinas dos encontros, nos sorrisos espontâneos, na simplicidade do florescer...um ser em descoberta constante.

Como que um malabarista

Sinal vermelho e todos os veículos pararam. Foi ali, em alguns instantes, que o jogo de nos entreter foi o estalo para entender o que poderia ser a arte de viver. O malabarista não perdia o foco e, sem olhar para as faces dos que ali estavam, podia se orgulhar de manter todos os objetos que manipulava distantes do chão. Nenhum deixava de ser guiado sem o seu consentimento.


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Quando era criança, ouvia os adultos planejando o futuro e intrigava-me o que seria o tal dos dias depois de amanhã. Um futuro distante, a partir de hoje, como nos diria um professor de português ao nos ensinar tempos verbais.

Em meio a brincadeiras, amigos, lápis e papel, resgatava meus pensamentos distantes, sempre no mesmo local, dispensável e até proibido aos pequenos. Sim, era um lugar que não deveria ser acessível a eles. Não havia motivo para uma criança querer ter tão depressa a responsabilidade, que, quando mais velha, lhe seria delegada: a preocupação com o futuro.

Havia outras pessoas envolvidas, um conjunto de família, amigos, amores e os agregados que vêm e vão ou até ficam.

Com quem viveriam diariamente; onde morariam; em que empresa trabalhariam; quanto dinheiro ganhariam; como sobreviveriam; enfim...quem seriam.

Inocentemente achava que a vida poderia ser simplificada em um guarda-roupa. Imaginava um que não fosse tão gigantesco, mas um de “porte médio”. Ali, separados em gavetas, estavam os sonhos. Quando ainda eram apenas pretensões, tinham tons pastel, sem muita nitidez, sabe?

Com o tempo, algumas ações se concretizavam e iam se inserindo nas respectivas gavetas. Havia o compartimento da profissão, da família, das pessoas que ajudou, dos corações que conquistou.

Mas a gente cresce e passa por aquilo que parecia inalcançável ou tão mais distante quanto aquela luz no final de um túnel quilométrico. Ah, tranquilo, já sei como serão minhas gavetas! – pensava ainda inocentemente.

De 15 a 17 anos – estudos intensivos (Ensino Médio/aula de inglês, espanhol, francês/ piano para relaxar);

17 a 18 anos – escolha da profissão;

18 anos – passar no vestibular em uma universidade pública;

18 a 25 anos – faculdade e 1 ano de intercâmbio;

25 a 27 anos – o emprego dos sonhos conquistado;

27 a 30 anos – namoro e casamento com a pessoa ideal...

- Riram de mim, eu senti! E foi a vida!

Entre tombos e alguns tantos tapas, aprendemos que não há tanta racionalidade. Entre pessoas ocorrem desentendimentos, entre vidas ocorrem imprevistos, e não se pode deixar que um simples empecilho arruíne vários anos.

- Aprenda a dançar conforme a música – dizia a Sabedoria.

Sábias palavras...não que os sonhos devam ser esquecidos, mas, por forças maiores, pode ser que tenhamos que deixá-los em “stand by”. Parece que mais do que o tino para ser dançarino, é preciso ser malabarista. É indispensável saber manipular todas as sensações de um momento sem perde-las de vista ou deixa-las cair: dançar, estudar, divertir-se, fazer o bem e enfim, viver.


Lívia Mendes

Arquiteta e urbanista que se apaixonou por observar e registrar as pessoas, a natureza e o construído em convívio. Nas esquinas dos encontros, nos sorrisos espontâneos, na simplicidade do florescer...um ser em descoberta constante..
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