VICTÓRIA AMPESSAN DAMAS

Que a intenção deste texto seja alcançada: o contato com um novo olhar, o entendimento de outras perspectivas e a vontade inexorável de prosseguir questionando, buscando a sua versão da história

Erin Brockovich e o que nos move

Qual a essência do nosso movimento? Entrega, vocação, resiliência... O verdadeiro valor do trabalho e a consciência como um útil e fundamental aliado em nossas ações. O sucesso é consequência do envolvimento, da vontade de mudar.


Sei como filmes podem enfeitar muito bem suas versões “baseadas em fatos reais”, porém sempre busco detalhes valiosos para analisar e, talvez, incorporá-los à vida. Este é meu intuito: ponderar sobre uma personagem que pode render muito além de uma bilheteria a Hollywood.

Filha de um engenheiro industrial e de uma jornalista, a família de Erin sempre acreditou no potencial para se fazer TUDO desde que tenhamos foco, saibamos o que queremos e nosso valor.

Erin era como qualquer pessoa tentando sustentar a família e equilibrar trabalho e bons momentos com quem ama. Almejava uma qualidade de vida digna dos filhos e do mérito de seu empenho.

Ao bater o carro e se machucar, entrou com uma ação junto ao advogado Ed Masry em um momento da vida de ambos que acarretou mudanças absurdamente mais longínquas do que os segundos que a batida “tomou” do tempo de Erin. Uma inacreditável balança positiva, como se sua história tivesse sido estranhamente planejada para isso.

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No filme, a ação judicial fora influenciada por Erin não ter a vida idealizada pelos demais. Como julgar quem é “merecedor” de justiça? Não seria para todos? Ser “digno de justiça” tem tanta relação com quem está do outro lado e com a aparência, a suposição de quem somos, os relacionamentos e interesses? Seria a capa e a resenha do livro mais valiosas do que as páginas em si?

Por seu temperamento, vestimenta, idade e instrução, teve que pressionar muito para Ed empregá-la. Sem a colaboração dos colegas e deixando de comer pelos filhos, amparou-se em empenho, perseverança e interesse. A combinação gerou um envolvimento verdadeiro e intensa empatia com o trabalho – não era apenas um caso, não podia ser.

O caso tratava de uma contaminação de água em uma região que não recebia (nem era julgada digna de) atenção nos EUA (e no Brasil?). O resultado dessa irresponsabilidade marcada – como tantas outras – pela desumanização do próximo foi mortes e doenças... VIDAS prejudicadas.

Pessoas que perderam a esperança, assustadas, sem ação ou direção; jovens perdendo as perspectivas, pais desolados e perdidos. Os sintomas eram frequentemente interpretados como maus-tratos na família, queixas sem valor ou responsabilidade máxima daquela população. CULPA era o termo. Vidas desprezadas, passivadas.

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Todavia, mesmo em uma “briga de cachorros grandes”, não é preciso ser um para querer mudar. Força, ousadia, resiliência, teimosia... Não temendo a imponência alheia, não se intimidando pelos cães que ladram, o pequeno caso se transformou pela obstinação em mover as engrenagens do processo: pessoas.

E o dinheiro com o qual a população “sonhava” – como colocado no filme? Seria sonhar a palavra adequada quando nem isso é garantido? Interessante assistir à reação dos envolvidos, a negação frente a notícias ruins, a dificuldade de encontrar força para admitir as mentiras e a quebra de confiança.

Havia ainda uma persistente preocupação em depender da decisão de um homem (o juiz), do que lhe foi apresentado, do que sabe, do que vê e como vê. Sem falar na falta de ética dos profissionais comprados pela empresa para mentir, ameaçar e encobrir fatos, ajudando a matar vidas sem perceber... Sem querer notar!

Outra característica não bem vista ou bem-vinda, contudo necessária: Erin não se desculpa por quem é, não está desesperada para mudar seu jeito pelos outros. Na vida real, inclusive revela um prazer: compras. Por incrível que pareça e por mais que tentem nos convencer, gostar do que a vida oferece não é um crime. Pedia desculpas e criticava quando considerasse importante e justo - por isso ganhou voz.

“Você pode DESISTIR, as pessoas fazem isso sempre”. Nestes momentos, adquire força um combustível essencial ao ser humano: a consciência. Como abandonar algo tão importante? Como viver com a imagem daquelas pessoas e, pior, a sua própria no espelho?

O que é o melhor para mim? E para os demais? Que demais são esses? Não são todos, com certeza. E as perguntas ferem mais enquanto tenta se equilibrar, dando afeto e educação aos filhos. Precisou de muitos sacrifícios e, infelizmente, pedir à família alguns.

Tudo em troca de horizontes e transformações no que fora estabelecido como realidade imutável até então. É muito difícil lidar com a frustração de não dar tudo a quem se ama e, na tentativa de eliminar tal sensação, não participar tanto de sua vida. Como pedir compreensão? Como dividir o tempo?

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Percebemos como nossa jornada é feita por inúmeras pessoas e razões. Apesar do preconceito que acompanha seus passos, com envolvimento honrável, sacrifício e um tempo sagrado para todos, ela atingiu uma relação insubstituível com a população. Assim, Erin ganhou o status de indispensável.

Foi preciso empoderamento pessoal e coragem para se envolver. O triunfo não foi um objetivo previsto e garantido, mas surgiu como consequência natural de sua determinação. Persistindo, começam a lhe dar o valor devido.

Mesmo sem o nível de instrução tão valorizado, sua vitória advém de ser acessível, estimar e ser estimada. Quem ouve e se importa faz frutificar os melhores resultados. E que, quando lembrados e exultados, não devem estagnar o futuro ou contentar uma mente com muito mais a desbravar.

Erin Brockovich também escreveu o best-seller “Acredite em mim. A vida é uma luta, mas você pode vencer”, um título (traduzido livremente) bem sugestivo. Sua história foi conduzida pela confiança que conquistou, não podendo ser quebrada e que, até quando questionada, dói.

O que essas vidas têm a revelar? Nossa PALAVRA é nossa virtude, uma qualidade a ser apreciada, um amparo para consolidar a moral e conduta construídas por cada um de nós.

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VICTÓRIA AMPESSAN DAMAS

Que a intenção deste texto seja alcançada: o contato com um novo olhar, o entendimento de outras perspectivas e a vontade inexorável de prosseguir questionando, buscando a sua versão da história.
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