livro em branco

Reflexões do século XXI

Isabela Spínola

O ser humano é estranho...

O ser humano é estranho...somos umas aves raras! O campo das emoções é o mais complexo para o ser humano, uma arte nunca devidamente ensinada e que avassala a mais racional das mentes. Vejamos, todos precisamos de um grande amor na vida, sofrido, molhado, sentido! Senão fosse sofrido nem tão pouco era grande, e quando esteve ao nosso alcance de grandioso não tinha nada, ou não o tratamos como tal.


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Particularmente, preocupa-me esta insanidade mental com que tratamos um sentimento tão nobre, a leviandade com que passamos na vida das pessoas, e não me excluo desta matilha sangrenta, que enfeita os sentimentos com uma prosa encantada. Larguemo-nos as filosofias de cordel, ou queremos ou não queremos, para quê relegar para a mão alheia aquilo que apenas depende de nós, para quê deixar fugir das nossas vidas pessoas que nos são queridas? A troco de quê? Que esquemas de acasalamento fastfood são estes que inventaram? Que truques e dicas de rituais infalíveis são estes que nos invadem por todo o lado? Não somos equações, apenas variáveis. A verdade é que também nos enjoamos das pessoas, a verdade é que procuramos avidamente alguém que nos faça brilhar os olhos 24 horas por dia e descubra o ser fantástico que habita em nós. Sim, porque nós somos fantásticos, quem não nos vê fantásticos é automaticamente descartado porque não faz parte dos nossos planos ser apenas um ser vulgar cheio de falhas.

Eternos trovadores, sempre prontos a cantar a mesma cantilena aos novos ouvidos que por ali passem. É cruel esta visão de nós mesmos, no entanto de encantadora terá pouco e de realista terá o essencial e vital. O desafio superior, será ser realmente fantástico aos olhos dos que nos conhecem até ás entranhas. Será aceitar a nossa condição humana. É uma chatice ter de lidar com alguém que nos conhece até ao mais ínfimo defeito, um enjoo por vezes, mas são essas as pessoas que nos amam realmente, e contudo, não nos interessa, nem tão pouco temos paciência para essas pessoas! Quantas pessoas na vida têm a capacidade de nos amar mesmo depois de ver o nosso lado B...poucas, muito poucas!

Eternamente trovadores, queremos encantar e ser encantados! Como se tivesse nascido alguém com o objectivo exclusivo de nos agradar...O desafio eterno não estará seguramente na procura de novos ouvidos para encantarmos, o desafio não estará nas novas estrelas, estará nas velhas estrelas, nas de sempre. Serão as que nos mostram a nossa contingência de seres humanos. Não somos fantásticos, somos por vezes feios, repulsivos, magoamos pessoas, ninguém aqui é santo. É um desafio de vida, só nosso, um caminho individual de vida, o que dispensa os cantos da sereia, o desafio de amar até àqueles que nunca nos viram como fantásticos, não amar pelo que vêm em nós, não amar porque conseguimos ser fantásticos, tudo isso será efémero. Esse canto da sereia, apenas nos conduz a solidões repetidas e a uma cegueira compulsiva.

É bom de vez em quando olhar para nós com o olhar dos matemáticos.


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