livro em branco

Reflexões do século XXI

Isabela Spínola

Com...Paixão, de dentro para fora

Queremos estar ao lado de alguém que nos desperte a pele, sempre "com paixão", e sem motivo nenhum em especial. Como combinar "com paixão" com "compaixão"? Não tenho a menor ideia.


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Nunca tinha reflectido muito sobre este nobre afecto. Associamos no imediato este sentimento a causas solidárias, mas não existem segmentações nos afectos, não se escolhem alvos para procriar sentimentos. Os afectos são livres, nós não. Onde existe compaixão existe amor para dar, é seguro que não há mente capaz de fugir ao que sente. Somos devorados por amores etiquetados, conceitos líquidos e actualizados, e quem não pára para procurar a sua verdade vai nesta maré sexista. É bom encontrar a verdade pelo nosso punho, é bom sentir que a verdade nos transforma, é bom sentir a harmonia que casa o equilíbrio racional e emocional.

Directamente do wikipedia posso analisar a definição deste sentimento:

Compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem; não deve ser confundida com empatia. A compaixão frequentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem. A compaixão pode levar alguém a sentir empatia por outra pessoa.

Discordo em absoluto deste conceito enjaulado, um conceito que apenas dá descanso ao nosso Ego, dando uma causa digna à nossa existência. A minha vénia, é admirável e de valor reconhecível, mas não é disto que estamos a falar. A compaixão sente-se, é livre, e não implica terceiros sentimentos, ou sim. É aleatório, não existe causa directa entre a compaixão e a empatia, entre a compreensão e o sentimento. Esta mania de prever sentimentos irrita-me profundamente face aos retrocessos que tal acarreta. Somos uma imensidão no sentir, sem causa nem porquês, esta é a única beleza que possuímos em estado puro, e no entanto, andamos sempre às voltas a tentar encontrar novas linhas geométricas que nos orientem. tumblr_mipjh4qwEq1s4tfpno1_5077770.jpg

Queremos estar ao lado de alguém que nos desperte a pele, sempre "com paixão", e sem motivo nenhum em especial. Como combinar "com paixão" com "compaixão"? Não tenho a menor ideia. Não faz sentido justificar o que nos faz calar, arrepia na pele e dá calor à alma. No meu parco ideal, representará a maior elevação possível entre dois seres humanos, desde que saibam sentir na mesma língua. Há mistérios e segredos que existem para não ser descobertos. O amor não tem teoria possível, não é causa para ser definida em letras a preto e branco, sufoca-se com o processo racional, não se compadece com esquemas teatrais, o amor em si próprio é genuíno, quando o deixa de ser, entra em contagem decrescente. Quando entra o Ego a porta fica sempre aberta para o Amor sair.

Fazem-me todo o sentido as estradas percorridas, as experiências fechadas, as leituras lidas, os trilhos deixados a meio. Um processo sempre em construção, de transformação, de aceitação do simples para o complexo para retornar ao que sempre foi simples. É a imensidão do sentir que vive dentro de nós por desbravar.

Estas são corridas de vida, há que perceber quando temos de deixar a vida entrar para fazer o seu trabalho, para nos transformar, aceitar que o amor vem de dentro para fora, e nunca de fora para dentro. Nunca teremos capacidade para amar, enquanto as pazes não forem feitas dentro de casa. Uma estrela que brilha, apenas cumprirá com a sua função: Brilhar, não precisa de encontrar motivos para o fazer.


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