Eliza Doré

Uma jornalista tentando levar as coisas menos a sério, ok?

Jornalismo e os veículos independentes de comunicação

Cada vez que os grandes veículos de comunicação preferem não dar ouvidos ao que está acontecendo do lado de fora, nas ruas, onde o povo realmente está, vemos quais são seus verdadeiros interesses.


As “Revoltas de Junho” ganharam atenção na internet enquanto os veículos de comunicação divulgavam em uma pequena escala. O assunto passou a preocupar quando mídias independentes como o Mídia NINJA – Narrativas Independentes Jornalismo e Ação, destacou-se nas redes sociais por mostrar o outro lado: a repressão policial, a injustiça, a falta de respeito com os cidadãos brasileiros que estavam nas ruas protestando por seus direitos. A cobertura da grande mídia não obedecia a um critério isento, e ainda não obedece. A greve dos professores pelo país, manifestações do Movimento dos Sem Terra – MST e Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto – MTST entre outros que são considerados à margem da lei não são veiculados com o mesmo fervor com que acontecem.

Durante as manifestações de 2013 as redes sociais e os dispositivos móveis serviram como uma alavanca para impulsionar suas reivindicações que iam além dos 20 centavos. Foi por este mecanismo que o Movimento Passe Livre - MPL conseguiu arregimentar simpatizantes e indignados por todo o país. Os protestos iniciados pelo MPL eram organizados sem uma liderança ou grupo político, uma das fortes características do movimento, que para o doutor em História Social, José Roberto Severino era um ponto de destaque na mídia conservadora “Aos moldes da Primavera Árabe ou dos movimentos Occupy, não havia uma liderança ou um grupo político específico e convencional à frente. E isso é notícia, independentemente da vontade deste ou daquele editor. A força da rua se impôs”.

A força renovadora das manifestações de 2013 refletiram nos anos seguintes quando grupos indignados com os gastos da Copa Mundial, que acontecia no mês de junho de 2015 no Brasil, foram as ruas para protestar. O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto - MTST mostrou nas manifestações de rua a sua indignação. Com a chegada do evento no país uma “limpa” começou a ser feita nas cidades sedes. Obviamente algo não divulgado. Esta não era a primeira vez que cidadãos seriam despejados de suas casas para “melhorar” a paisagem. São as tais “campanhas de embelezamento”, quando a “sujeira” da cidade é jogada para debaixo do tapete, estando aliada a grande mídia que não torna esses acontecimentos visíveis. Quase um ano antes de São Paulo sediar as partidas de futebol da Copa do Mundo alguns vídeos foram divulgados pela rede social Facebook, onde mostravam policiais despejando moradores que haviam invadido prédios abandonados, com o uso da força ou da má educação.

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Em 2015 os grupos políticos derrotados e os insatisfeitos com o governo petista saíram às ruas em forma de protesto. Este movimento teve uma divulgação generosa por parte dos veículos de comunicação. Era o terceiro ano seguido que uma grande manifestação acontecia por todo o país e dessa vez carregava um peso diferente.

Cada vez que os grandes veículos de comunicação preferem não dar ouvidos ao que está acontecendo do lado de fora, na rua, onde o povo realmente está, este nos mostra que seu interesse está voltado ao seu partido político, ao seu cliente anunciante, as grandes empresas que nele investem. Isso não acontece por ser uma conspiração ou um golpe, é simplesmente a dinâmica econômica pela qual ele funciona.

Os veículos de comunicação independente possuem a internet como espaço de divulgação, o custo de produção não chega a ser comparado com o de um grande jornal diário, mas não pode ser ignorado. Em maio de 2015 o coletivo Jornalistas Livres criaram no site Catarse um projeto que procurou arrecadar por meio de financiamento coletivo verba para dar continuidade ao esquema de mídia independente.

A disseminação dos veículos de comunicação que não estão presos aos ditames de anúncios ou grupos políticos são mais dispostos a mostrar para a sociedade o outro lado dos acontecimentos, este tipo de diálogo entre veículo e receptor é o que move a opinião pública. O participante do Mídia NINJA, Rafael Vilela, acredita que alguns veículos de comunicação atuam de forma parcial não apenas quando se trata de divulgar as manifestações “A mídia corporativa brasileira tem atuado como um verdadeiro partido político no Brasil, seja nas eleições, seja na concepção do imaginário brasileiro em relação à política. São completamente parciais, sob um pretenso manto de imparcialidade e verdade que pregam”.

O número de coletivos jornalísticos que irão trabalhar de forma independente pode crescer cada vez mais, já que a tecnologia caminha para um maior desenvolvimento e a comunicação é o seu grande aliado. Mas é preciso mostrar para a sociedade que existe uma liberdade de expressão, contudo, a sua qualidade deve ser preservada “O aspecto emancipatório do livre expressar é fundamental para entendermos o lugar dos coletivos de comunicação no debate sobre o acesso à informação isenta e de qualidade”, explica Severino.

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Eliza Doré

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