Eliza Doré

Uma jornalista tentando levar as coisas menos a sério, ok?

Parem de abominar a menstruação

Menstruar é o maior ato de amor que o corpo humano pode realizar. Não depende de ninguém, é algo independente e totalmente sincero.


Julgada como um fato nojento, desnecessário e chato a menstruação é vista apenas como o sinal da “não-gravidez”, claro que é um alívio ver o sangue na calcinha depois de uma noite de sexo, mesmo usando camisinha, anticoncepcional ou tomando a pílula do dia seguinte. Mas menstruar vai muito além disso.

Quando menstruamos nosso corpo está nos dizendo algo, e aqui o papo é sincero. Toda mulher conhece cada detalhe dos seus dias de menstruação e se alguma coisa sair do roteiro, aí sim é alerta vermelho. Nos conhecemos a um nível que os homens não entenderiam, menstruar é uma energia que você mesma desenvolve, sente e emana.

O que a sociedade precisa entender é que esse sangue é praticamente sagrado, só não digo puro porque a intenção dele é colocar pra fora o que já não está mais na validade, caso contrário não há motivos para achar que isso é abominável. Se você o encarar como ele realmente é vai ver que toda essa repulsa é coisa da sua cabeça, que transformou um mísero sanguinho em um monstro.

O que acontece com o nosso corpo não é uma releitura do mar vermelho, se os homens acompanhassem uma menstruação veriam que a quantidade de sangue é pouca perto do pânico e nojo gerado em torno disso. Não temos uma hemorragia por mês, encare isso como "uma limpeza automática do corpo humano", aposto que dessa forma você poderá encarar os fatos com mais calma e maturidade.

Existe aquele velho ditado que diz “mulher é um bicho que sangra durante sete dias”. Durante sete dias nem todas, mas que é bicho bravo pode ter certeza, porque aguentar cólicas menstruais e tanta asneira que se cria em relação a menstruação, não é pra qualquer um. E nunca na sua vida compare cólica menstrual com cólica de gases, você não sabe o que é sentir seu útero chorando enquanto o massageia calmamente, respirando fundo e dizendo “tá tudo bem, já vai passar!”. Porque aqui o amor é recíproco!

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Arte por Mayara Magri


Eliza Doré

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