Lohuama Marques

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

Verdades sobre o caminho

Já teve a sensação de estar preso em uma vida que não é a sua?


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É como estar olhando a biblioteca de outra pessoa: por mais títulos impressionantes e que nos despertem interesse, na mesma estante estão alguns livros que você não leria, não se interessaria se visse na sessão da livraria e talvez nem chegue a tocar enquanto percorre a prateleira.

São como experiências que não podem ser transmitidas, mesmo que nos esforcemos para descrever e aconselhar; é impossível transmitir cada sensação, a adrenalina, os temores e seus latidos. O mínimo a fazer é alertar acerca dos riscos, mas ainda que nos ouçam, ainda que leiam resmas e resmas preenchidas de explicações e fatos narrados, ninguém provará da trajetória que foi desde a escolha do exemplar até a consumação de episódios gravados singularmente em cada ser humano. Nada se compara a uma biblioteca composta por si mesmo. Cada obra escolhida a dedo seja pela relevância do assunto, pelo escritor e gênero prediletos.

Da mesma forma, nada melhor que uma vivência no posto certo. Os próprios acidentes, acasos e amores. Detalhes que mais tarde serão relatos para as crianças sentadas no chão da sala, para o companheiro a segurar uma xícara de um bom café ou chocolate quente, ou para os poucos, mas amigos leais que ainda restaram e muito provavelmente terão compartilhado conosco tais vexames. Seu papel é proporcionar-lhes o vislumbre das crônicas do seu ponto de vista.

É possível interromper o fôlego de outro ser, pode-se apunhalar sua confiança, fazer definhar sua alma, extinguir a linha frágil que nos separa do transcendente; criar uma rede de mentiras, apropriando-nos de suas histórias, contá-las como se fossem nossas ou furtar objetos que contém digitais primárias - que não são as nossas. Mas é inteiramente impossível nos empoderarmos de todos os caminhos que tracejaram tal indivíduo que consideramos como ícone ou que delineamos sinônimo da perfeição.

Como aquela lei metafísica que diz a impossibilidade de dois corpos ocuparem o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Mesmo nesta vasta explicação, é preciso pouco para que nossos olhos sejam abertos e entendamos a essencialidade de dar a largada nos próprios sonhos, construir as próprias (e reais) fortalezas, agregar autenticidade as nossas escolhas e desconstruir intimamente a personificação de que a grama do outro é mais verde.

Um meigo e simples nazareno disse certa vez que onde colocamos o nosso coração, aí está nosso tesouro. Ora, se derramamos nossas aspirações na vida de outro, que validade estaremos dando a nosso coração? Seria um bem fútil, de palha, feno e madeira.

A grandeza da vida está na peculiaridade de trilhá-la com as próprias raízes, bem pensados e firmes alicerces, sabendo que, independente das épocas turvas e secas que nos fazem duvidar do propósito de nossa existência e endeusar o outro, nutrindo-se de cobiça, é que floresceremos e frutificaremos em terrenos explorados, paisagens conhecidas, pois nelas derramamos nosso suor e nela poderemos desfrutar com vigor da colheita vindoura.

Se colocaste a mão no arado, é preciso prosseguir constante, pois o sol declina e logo vai escurecer.

Um bom trajeto!


Lohuama Marques

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." .
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