longas cartas pra ninguém

Pois quem vê sabe, estas palavras estão me usando!

Gustave Caligari

Formado em filosofia mas devorador compulsivo de história, psicologia, sociologia, etc. Vegetariano não-xiita. Vlogger infrequente, narcisista assíduo. Escrevo por que preciso. Tomei por meta corporativa na vida informar e fazer rir, quando percebi que se ri da ignorância, se ri na ignorância, mas se assume uma postura séria, prepotente e tediosa para combatê-la.

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    A pornografia nos moldou? - A antipornografia de Nabokov em Lolita

    A forma como fazemos sexo é instinto natural ou demanda de um imaginário industrializado? A forma como fazemos sexo é retratada na pornografia, ou esta ganhou vida própria? Nossos sentimentos vão direto ao imediato, não temos tempo pra atender à sensibilidade, a demanda da alma, só nos livrar do impulso fisiológico que nos consome como fome. Queria Diógenes de Sínope, o cínico, poder satisfazer a fome apenas esfregando sua barriga, como podia fazer com a necessidade sexual.

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    Sem Foucault: três décadas sem um intelectual nada convencional

    Uma singela homenagem com fatos pessoais pouco conhecidos, e por vezes cômicos, do intelectual francês Michel Foucault, que produziu de 50 a 80; foi ativo em movimentos estudantis e lutas gerais, como a luta antimanicomial e a liberação das vozes dos prisioneiros; grande ponte para entender a pós-modernidade; influente em campos diversos além da história e filosofia, como direito, letras, ciências sociais e educação física.

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    O fenômeno Baader-Meinhof na música do Legião Urbana

    Movimentações sociais, conflitos civis, guerrilha urbana, violação de direitos humanos, abuso de poder jurídico, abuso estatal em geral, muita violência, indiferença. As questões trazidas pelo fenômeno Baader-Meinhof na música do Legião Urbana.

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    Vida margarina

    Vida margarina: por que derrete no calor de nossas expectativas? Não. Porque se resolve em soluções consumistas, em ilusões bem montadas, como um comercial de margarina. Este artigo é sobre crer que filhos irão salvar sua vida. Perpetuar seus sonhos, iluminar seus dias com uma presença sempre límpida. A vontade de ter um filho pode ser um sentimento consumista, como o de adquirir qualquer objeto.

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    Desumanizando-nos: O arquivo e A metamorfose

    Um conto brasileiro de 1972, "O arquivo", de Victor Giudice e um clássico centenário da literatura internacional "A metamorfose", de Franz Kafka, assombram-nos com duas vivência surreais, dois personagens destituídos literalmente de sua humanidade, transformados em coisas inócuas, medíocres e nojentas, dois processos de revirar as entranhas, que acontecem todos os dias por aí, que acontecem sem percebermos dentro de nós mesmos.

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    Pato fu é bem mais do que você pensa

    Sem a poderosa ferramenta da internet uma banda se firma no cenário independe do rock nacional nos anos 90. Sem se apegar a um estilo o Pato Fu conquistou seu espaço na mídia, fez shows pelo país inteiro, gravou vários discos, cativou grandes figuras do cenário musical, o que lhes rende desde trilhas de novelas a grandes parcerias, consolidando, com seu estilo sempre irreverente, um projeto multifacetado que não perdeu o gás até hoje.

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    Ser igual para ser diferente

    “Privilegiar” desfavorecidos não seria tentar igualá-los? Há pessoas que justificam sua insegurança e preconceito muitas vezes questionando a igualdade que temos perante a lei. Se queixam do surgimento de medidas que visam prover segurança para minorias, aumentando leis punitivas, e ajuda financeira a desfavorecidos, criando bolsas e cotas. Não há contradição alguma nisso, porém. Não estamos igualados, não estamos democratizados, não vivemos em um mundo colorido. Estamos em processo.

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    Eu, tu, ele: celular

    E se a inclusão do celular às investigações comportamentais, sobre inter-relacionamento, comunicação não verbal, etc., fosse encorajada? Pesquisas desse tipo geram uma gama de escritos, desde científicos a manuais de autoajuda, e vem até agora mencionando o ambiente virtual como ferramenta, mas ainda que o tom deste texto seja lúdico e sarcástico, não há como negar, é um apontamento sério, o celular já faz parte do nosso corpo, está se impregnando na nossa biologia, rege nosso comportamento mais que mecanicamente.

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    Amor de vampiro

    Novamente trago aqui meu apreço pelos vampiros que abordam questões existenciais, em vez do vampiro besta, aventuroso predador. “Only lovers left alive” é um filme de vampiros do qual não adianta se esperar que o concreto lhe surpreenda, é um filme de mensagens, que transborda referências culturais, sutis brincadeiras com a eternidade dos personagens e, deixando abertura para reflexões sobre nossas relações amorosas, é uma ferramenta para cogitar como os amantes serão poupados do desgaste.

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    Figuras antidiversidade: o gay moralista

    O gay moralista é uma contradição em si que perambula por aí quase bem camuflado, como qualquer minoria que reproduz um discurso universalizante. Este quer calar discursos diferentes do seu através de construções lógicas, como se viver fosse um jogo de xadrez. A este jogo se evoca a Razão. E eis o homossexual que tenta achar perante a Razão a solução por ser discriminado na conduta do outro, que é diferente de si. Outrora o julgávamos diversidade também, mas ele não parou mais para se olhar no espelho.

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    A plasticidade de Adriana Calcanhotto

    Há artistas que por serem assíduos em trilhas de novelas acabam restringidos no imaginário popular como compositores de baladas, músicas românticas e nostálgicas. Ainda que a poesia iluminada desta letrista excepcional já tenha lhe feito sonhar de olhos abertos com o amor, Adriana Calcanhotto, há tempos se sabe, não é somente a certa medida para os sonoplastas do PROJAC, Adriana também é Partimpim, também é da densa poesia, da crônica do dia-a-dia, e principalmente, como Carmem Miranda, é do samba e do camarão ensopadinho com chuchu.

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    Nico: qualquer coisa além de beleza, qualquer coisa de triste

    Nico foi uma belíssima modelo alemã, de exímio talento vocal aproveitado por Andy Warhol para integrar um disco da banda americana Velvet Underground. Coisa que muitos sabem, junto ao fato de que ela gravou apenas este disco de estreia. Poucos sabem que a vida de Nico foi sempre cercada de nomes icônicos além de Lou Reed, Jim Morrisson ou Warhol, e mais são os poucos cientes do brilhantismo de seu legado musical solo. Sua vida pouco iluminada, diferente das estrelas com as quais ela se entrecruza; seus retratos sempre lúgubres, não por acaso, raros sorrisos; seus réquiens dominados pela voz grave e o som do harmônio.

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    Anne Rice, a dama do terror moderno

    Apreciada por amantes de terror em geral, membros da subcultura gótica principalmente, Anne Rice atualizou a prosa gótica com primazia, estabelecendo o vampiro romântico, mixando o sobrenatural com o cientifico, fermentando suas obras com vasta pesquisa histórica, intertextualidade e rico detalhamento descritivo, numa narração tão refinada que o horror nos pega mais que despreparados. A autora do clássico “Entrevista com o vampiro” certamente se tornou um marco para a literatura americana através do terror, tanto quanto um Stephen King, e hoje é um ícone da ficção em geral.

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    A erotização do nazismo no cinema

    "A queda", "Operação Valquíria", "A lista de Schindler", "Hitler: A Ascensão do Mal", a inúmera gama de filmes sobre nazismo encorporam à figura do nazista uma maldade perfeita, um sistema bem acabado, que mesmo com o bom intento de produzir irreversível repúdio ao atentado contra a vida, ao holocausto, a esta mancha na história da humanidade, acarreta em um efeito despercebido, a fetichização do poder, o erotismo de pessoas tão pobres de espírito que não encantariam, no bom ou no mau sentido, a ninguém. A banalidade do mal, essa face tão mais preocupante, pouco aparece nos filmes quando o assunto é nazismo.