Carlos Henrique dos Santos

o sonho de ícaro

escrito há muito tempo para uma amiga especial a quem reencontrei esses dias. pra você, com carinho...


ícaro.jpg

para siobam

essa noite tive um sonho, nele eu morria.

antes, porém, uma menina me acariciava a face, depois seus lábios iam se chagando aos meus, meus olhos iam se fechando ao toque de sua boca, a excitação me dominava, um misto de medo e prazer nascia e crescia dentro de mim, os olhos da menina eram cor de mel, um tanto castanhos, sua boca era pequena, assim como seu nariz, eu os podia desenhar bem calmamente em pensamentos enquanto a beijava, algumas sardas se espalhavam por seu rosto de pele clara, duas delas me chamaram a atenção, situavam-se bem acima da boca, à esquerda de quem olha, de repente sua língua ia brotando de dentro de sua boca e num movimento corria da direita para a esquerda, molhando-lhe os lábios, primeiro o superior, em seguida o inferior, sem nunca parar de me olhar a menina chamou-me ícaro, ícaro, com uma voz fina e langorosa, depois se desnudou e me ofereceu seu sexo, senti algo a espetar-me os ombros, um cheiro de sangue tomou o ar, uma forte pressão me chegava pelas costas, então, num misto de dor e gozo, asas brotaram de mim, um cheiro de cera veio se misturar ao de sangue, eram minhas asas, a força delas acabou por também me desnudar, meu sexo rijo reluzia à luz do sol, a menina o tomou em suas mãos e o pôs na boca, depois se levantou e enganchou suas pernas na minha, penetrei-a, as asas se puseram a bater, cada vez mais forte, subimos, íamos voando com nossos corpos colados, presos um ao outro, a menina tinha os olhos cerrados e murmurava indecifráveis lamúrias, depois gozou, então pediu que a penetrasse com mais força, para mim era difícil dar conta do voo e do sexo ao mesmo tempo, mas consegui manter as asas sob controle depois de certo tempo, pude assim me dedicar inteiro à menina, enquanto a penetrava ganhava cada vez mais altura, sentia meu corpo ferver do prazer e da quentura do sol, que agora estava mais próximo, foi então que senti que ia gozar, uma força sem precedentes começou a brotar dentro de mim, meu ser todo se contorcia, preparando-se para expelir o líquido orgiástico, quente, quente, estava cada vez mais quente, meu corpo, o gozo, o sol, o corpo da menina, então senti minhas costas meladas, eram as asas a derreter pelo calor, não consegui manter controle sobre o que ainda restava delas, ia gozar, ia gozar em queda livre, embaixo o mar me esperava, a menina parecia não se dar conta do que acontecia, de olhos fechados e cabeça tombada apenas pedia mais, mais, mais, ícaro, então, quando o mar crescia à minha frente, gozei, gozei e não acordei, e via-me sufocado por toda aquela água, a menina ainda colada em mim, meu corpo exausto, sem forças para subir à superfície, descendo, descendo, o fôlego sem extinguindo, saindo de mim como meu gozo, como minhas asas, nada mais me restava, apenas a menina.

Carlos Henrique dos Santos 14/09/2004.


version 3/s/literatura// //Carlos Henrique dos Santos