Carlos Henrique dos Santos

sem título


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olhar para a frente e para trás nos oferece imagens e visões muito díspares: à frente vejo uma espécie de paradoxo, pois tudo e nada estão ali: um tudo enorme de possibilidades, repleto de sonhos, projeções, desejos, anseios, vontades e quereres que movem alguns seres humanos em direção ao amanhã, ao projeto de vida que cada um elabora para si. já quando se lança um olhar para o passado no lugar do paradoxo emerge um eufemismo (que procura amenizar dores, mágoas, frustrações, rancores, decepções, tristezas, saudades, angústias que ficaram marcadas em nós ou ainda um quê metafórico de tristeza mesma, uma lágrima que escorre e molha as saudades, uma lembrança que nasce de um instante fugaz e machuca mas que não machuca de doer e sim de outra forma, é um ferir diferente, com uma dor diferente, que não apenas dói mas encanta, faz re-nascer em nós um misto de alegria pela vivência e angústia pelo fim desse viver). o que daria algo na linha do paradoxo também e que me faz pensar se a vida, enquanto figura de linguagem, não seria uma grande metáfora que estaria envolta por essa aura paradoxal de viver e morrer, ter e perder, ser e não ser ou ser sendo o que não se é mas apenas o que se foi e o que se projeta ser. um ser em devir, eterna mutação que não ganha forma, esse ser disforme somos nós, sou eu aqui...


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