luciana landim

Devaneiador

LUCIANA LANDIM

É preciso coragem

Quando a vida chama, quando o amor pede, quando o trabalho cansa, quando a vida cede. É preciso tê-la, sempre a mão, sempre a espera.


Todo dia, toda mudança, toda hora. É preciso coragem. Não que a gente não se acovarde de vez em quando, e não pense e repense uma situação, faz parte. Até porque a gente só é corajoso mesmo depois de ter com o medo longas e belas discussões, debates e tretas. Depois de levar o medo pra morar com a gente, trabalhar com a gente, viver com a gente.

É preciso coragem pra encerrar um relacionamento. Sabe? Coragem mesmo é dizer pra alguém que se amou tanto tempo que a vida segue, que a história acabou, que o barco partiu. Fácil é escutar Chico Buarque as 5 da manhã bebendo e chorando, difícil é olhar nos olhos depois que tudo ruiu. Corajoso é aquele que tem amor suficiente por si mesmo e pelo outro pra comprar a briga, bater a porta, dizer que não tá bom, porra.

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Coragem, coragem. Essa coisa que a gente acha que num tem. Porque né, a vida é cômoda desse jeito. É mais fácil. Manter tudo no status quo do dia a dia. Não dá pra vacilar, porque olha não tá fácil arrumar alguém, essa vida maluca, quem sabe?

É preciso coragem pra começar um amor também. Dar o braço, abrir mão dos nossos maneirismos, das nossas escolhas tão cansadas, ir comer algo diferente, assistir um filme que nunca nos passou pela cabeça, ir num show, viajar. É preciso coragem pra correr o risco de quebrar a cara e querer de novo, mais e sempre mais.

Coragem é abrir seu próprio negócio. Levantar de manhã, sem saber o que te espera. Trabalhar, correr atrás e pagar conta. Porque né, tá difícil, a crise, o Brasil, a China, as eleições. É abrir mão da certeza a cada ida num cliente, a cada conversa com fornecedor, a cada cheque recebido. É preciso coragem, meu amigo. Tem muita gente que vive e morre e não sabe o que é isso.

Assim como é preciso coragem pra largar um emprego que não faz sentido. Abrir mão do caminho mais fácil, das coisas consolidadas, da sua mesa, sua gaveta, as pessoas de sempre queridas e não tão queridas assim. Abrir mão da comodidade do conhecido, de saber o que dizer, com quem falar, quais e-mails ler primeiro e quais sempre ignorar.

A vida, essa danada, tá sempre pedindo coragem pra gente.

Coragem pra ir, mudar, fazer diferente. Há quem se acovarde sempre, e tá sempre esperando um convite mais ajeitado, uma proposta melhor, o relacionamento mudar, a bola redonda no cruzamento no gol sem goleiro. Mas há entre nós essas pessoas, que fazem a gente repensar as nossas escolhas, rever conceitos.

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Não se engane, que ser corajoso não é diário, não é todo dia. É preciso ter em mente que a coragem é como a felicidade e a tristeza, é um ato transitório e necessário. Não dá pra peitar tudo o tempo todo e a arte está em escolher quais batalhas vamos levar a frente e quais delas são dignas de deixar pra lá.

Se a gente for ter coragem o tempo inteiro, não dá tempo de apreciar a dor do perdedor, como já diziam os Hermanos. A gente só descobre a coragem que tem depois do medo, da tristeza e da angústia.

Só sabe mesmo é quem viveu.


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