luciana landim

Devaneiador

LUCIANA LANDIM

11 MESES COM O MELHOR CÃO DO MUNDO

A breve história da cachorrinha Arya, que nos deixou em março de 2017 e inundou nossos corações com os mais belos sentimentos.


Ela era a unica fêmea num meio de três filhotes. A mais peluda, a mais fofinha. Foi amor a primeira vista, claro! Logo eu que tinha buscado em todos os cantos por um cão, aquele filhotinho tímido, no meio da favela ganhou meu coração sem nem entender porque.

Levamos ela pra casa, no meu colo. A bichinha nem se mexia, sugava o calor do meu corpo, num daqueles dias frios mas que ainda tem sol. Os tutores que nos doaram, ainda tentaram empurrar uns irmãozinhos junto, mas me contive. Um cão já é demais, ainda mais pra quem tem tantos animais como eu.

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Era engraçado como eu ficava desesperada pra ela aprender as coisas rápido. E ficava correndo atrás dela como uma louca pra não fazer xixi no lugar errado. O que resultou em algumas dores nas costas e muitas limpadas de xixi e cocô em todo canto da casa. Na época, ela não entendia nada, e eu ralhava com aquela peludinha fofinha, porque né, a gente demora a aprender a deixar as coisas acontecerem a seu tempo.

Rapidamente ela aprendeu que sabia mastigar e mastigou tudo que foi possível. Carregadores, chinelos, roupas e todo tipo de coisa que se possa imaginar. Eu lembro quando a gente descobriu com surpresa que ela tinha aprendido a subir na mesa do escritório e mastigado fontes de computadores, cabos e até capas de notebook. Ela era mesmo esperta. Seu treinamento regado a belisquinhos, desde os 3 meses renderam frutos, e posso dizer que na medida do possível para um cão, ela obedecia muito.

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Mas sabe como é né? A gente sempre acha que o cachorro da gente é mais fofo, mais manhoso, mais carinhoso e mais esperto. E ela era. Era daqueles cães perfeitos, sabe? Linda de morrer, convenceu até meus amigos menos chegados em cães a gostarem dela, e só dela. E ela gostava deles exatamente do mesmo jeito, como que pra retribuir todo amor inesperado que recebia.

Confesso que não esperava ter que escrever esse texto tão cedo, afinal ela não fez nem um ano, e já nos deixou. Mas a vida tem dessas coisas, de levar os melhores primeiro. Gosto de pensar que ela foi um anjo na nossa vida, de todas as formas que a palavra anjo podem caber aqui nesse contexto.

São muitas as lembranças que temos dela, e eu poderia escrever um livro, sobre este quase um ano com o melhor cachorro do mundo. Das graças que ela fazia, das vezes em que ela comeu (muitas) o cocô do gato, de todas as pessoas que juravam que ela era um Border Collie, de soltar ela no parque pra vê-la correr sorridente, das manhas, das brigas e dos momentos de companhia constante ao nosso lado. A gente chamava ela de Sombrinha.

Olha, amigo, eu não desejo essa dor pra ninguém. Mesmo. Perder um animal de estimação é como perder um parente querido, uma coisa insana, de roer suas entranhas e acabar com a felicidade.

De outro lado, me considero a pessoa mais sortuda por tê-la do meu lado esse tempo e por ter aprendido tantas coisas com ela. Sim, ela me ensinou tanto sobre a vida (já rendeu até outro texto), sabe? Me ensinou sobre como a gente fica tentando controlar o incontrolável, sobre como nós somos tolos de não sermos como cachorros o tempo inteiro, de lembrar o quanto somos frágeis.

Frágeis, descartáveis,vulneráveis. Por mais que a saudade que eu sinta agora ecoe no meu peito, eu ainda tenho essas lembranças e elas não me deixam vacilar. Me fazem levantar os olhos e seguir em frente.

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Cada minuto com aquela cachorrinha foi incrível. Cada lambida, mordida, corrida, ou rosnada. Cada pulo, cada latidinho, cada chamada de atenção. Se hoje eu sou uma pessoa melhor, é por conta desse serzinho. * este texto é dedicado a todas as pessoas que já perderam um animalzinho na vida. Só nós sabemos no quanto isso dói na gente.


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