luciana landim

Devaneiador

LUCIANA LANDIM

Mais de 1000 amigos e..

Porque adicionamos pessoas que não importam nas nossas redes sociais? Porque a seguimos?
Se você nunca fez isso, bom, esse texto não é para você!


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Eu demorei um tempo para entender que a quanto maior a quantidade amigos online, menor a quantidade offline. Não dá para administrar 1000 pessoas se você não for alguém famoso, ou mesmo se você só trabalhasse com isso. 1000 amigos é coisa demais.

Eu era a bitch do " Adicionar como amigo"! E eu sei, poucas pessoas fazem isso, e as que fazem também não admitem. Mas eu era essa pessoa que sai adicionando o fulano do escritório que mal olha na sua cara, a amiga da amiga de alguém que uma vez eu vi numa festa, a ex ficante de um amigo que troquei pouquíssimas palavras num churrasco a 3 anos atrás, ex namorados, ex de ex namorados, amigos de ex namorados, pessoas com quem trabalhei e nunca falei nada...enfim, a lista só crescia.

E muito embora o algoritmo me ajude a ver aquilo que eu passo mais tempo lendo, agora eu havia ficado escrava dos posts de 10 ou 15 pessoas que eu não vejo há anos ou com quem eu não tinha a menor intimidade!

Confesso que ao começar a limpeza (de escolher quem fica e quem vai pro limbo), você começa a se lembrar do porque de algumas pessoas, mesmo que distantes, permanecerem lá..na timeline, semi esquecidas e à distância. É porque em algum momento, elas foram muito queridas, e mesmo que isso não seja mais realidade (pela proximidade ou circunstância) elas vão continuar lá. Você gosta de acompanhar suas vidas, acompanha o que acontece com elas..quem casou, quem teve bebê, quem se separou..faz parte desse nosso lado voyeur, desse nosso lado BBB da vida real.

Tirei do caminho todo e qualquer ser humano com o qual eu não tivesse boas lembranças, ou que nunca foram gentis comigo. Fui tirando as amizades puídas, arruinadas, e também as que não floresceram. Deixei de lado as divergências.. Ainda gosto de sentir a contradição na minha timeline e ter a noção de que as pessoas bem próximas, podem pensar completamente diferente de mim.

1000 amigos.. E muito pouco para contar de fato..muito pouco. Não é triste, é a mesma coisa que antigamente. Mas temos a impressão de que essas pessoas estão lá, para nós. E como acompanhamos a versão editada de suas vidas, ficamos com a falsa impressão de que sabemos quem elas são e como pensam..mas isso é uma idiotice! As opiniões, fotos, recortes e check-ins são apenas pedacinhos de uma vida mais complexa e mais inteira, e muito mais profunda.

Resta entender a efemeridade dessas relações, e como de alguma forma, elas se tornaram descartáveis e ao mesmo tempo tão necessárias. É engraçado ver como parecemos as vezes desprezar as redes sociais, mas ainda sim, continuar vendo, seguindo, curtindo, compartilhando coisas por lá, como um remédio de gosto ruim.

A gente diz que não, mas ao primeiro sinal de ansiedade e abandono, ou mesmo quando estamos solitários ou impacientes, enterramos nossas caras nas vidas de outras pessoas para nos sentirmos melhor (?). Quer dizer, eles continuam lá..ouvintes, serenos, esperando..

Quando todo mundo parece estar cheio de coisas para dizer e compartilhar online, no mundo real somos apenas observadores das vidas uns dos outros.. Aceitando como verdadeiro, o que claramente sabemos que é irreal.


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