lumière

Monólogos em preto e branco

Flávia Farhat

O Pequeno Príncipe: a história essencial, agora, visível aos olhos

"Sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim, um recomeço"


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Existe um livro de poucas páginas e muitas ilustrações em toda biblioteca que se julgue minimamente ampla. Você vai encontrá-lo em meio a volumes bem mais espessos e capas muito mais sóbrias, mas uma vez que o leia, irá reconhecê-lo como uma obra mais adulta do que muita tese de doutorado. Estamos falando de O Pequeno Príncipe, a bíblia da criatividade escrita e ilustrada por Antoine de Saint-Exupéry e um dos livros mais lidos no mundo – se você ainda não leu, faça esse favor a si mesmo. Vendido como conto infantil, mas repleto de metáforas aplicadas ao mundo adulto, a história emocionante que marcou a literatura é agora adaptada para o cinema com o objetivo de atingir novas gerações. Uma missão difícil e criteriosa.

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Dirigido por Mark Osborne (Kung Fu Panda), a adaptação de O Pequeno Príncipe costura duas histórias diferentes: a original do livro, contada quase na íntegra, e a criada pelos roteiristas. Esse novo capítulo inventado especialmente para as telas acompanha a infância pouco divertida de uma garotinha que tem sua vida regrada pela mãe que planeja todo seu crescimento nos mínimos – e mais irritantes – detalhes, dividindo as tarefas da filha em dias e horas para vê-la amadurecer da forma mais responsável possível. Osborne começa a puxar aí a crítica à supervalorização da vida adulta; uma das principais essências da obra literária.

Cansada das exigências da mãe, a protagonista – chamada apenas de “a menina” – acaba fazendo amizade com o vizinho idoso e desajuizado e é levada a um universo muito diferente de tudo o que conhece. Na medida em que os laços afetivos se tornam mais fortes, o vizinho – ou aviador, para Saint-Exupéry – vai contando a história do pequeno príncipe que conheceu anos atrás no deserto, em um relato muito fiel ao original. Todas as grandes frases do livro conseguem ser encaixadas na história; um alívio para aqueles que veem em O Pequeno Príncipe a filosofia de vida que ele realmente é.

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Apesar de se perder um pouco no desfecho, a adaptação funciona tanto para quem conhece a obra quanto para aqueles que estão ainda no primeiro contato. Feito de forma sensível e caprichada, o filme é tocante e ganha créditos nos aspectos técnicos por misturar dois tipos de animação: computação gráfica para a história da menina e stop motion para as passagens literárias. E ainda que nada em sua estética pudesse ser destacado, ainda cumpre sua promessa de recordar uma das histórias mais belissimamente contadas de geração em geração. Para isso, concordemos, qualquer forma de tributo é válida.


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