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Uma visão diferente para coisas diferentes

Alexandre Chaves

a arte não pode ser contida pelas algemas da ciência

A ciência da tiro no próprio pé, quando se fecha para as perguntas que não se enquadram em sua metodologia. Visto que uma pergunta quanto mais rara, mais valiosa deveria ser para ela. A arte é uma das formas que expõe sua presunção e arrogância, podendo ser também um curativo para as feridas da alma daqueles que concordam com a ditadura da ciência moderna e se acomodam a suas algemas.


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Talvez não seja exagero pensar que vivemos uma espécie de ditadura, proposta pelo modelo cientifico de produção do conhecimento. Tendo em vista o fato de que, quando outras formas de produção de conhecimento que não contemplam seu duro e frio trilho que enviesa a forma ou o meio de se apoderar do conhecimento, tal como ela propõe, são simplesmente relegados à margem como um conhecimento de segunda mão.

Desta forma, acabam por serem desprezados, ou simplesmente negados como formas válidas de desenvolvimento do conhecimento humano.

Neste sentido a ciência acaba por impor a si e as pessoas, um limite ou uma limitação que é no mínimo passível de critica, e isto, ou seja, esta postura da ciência moderna, pode ser de alguma forma a força propulsora de pensadores que abordam, ou estão abertos para outras formas de conhecimento aos quais a ciência moderna despreza como destacado nos textos de Antonio Gomes Penna.

Para Penna, formas mais antigas e popularizadas de conhecimento, são de suma importância para o desenvolvimento do conhecimento humano. Não e difícil concordar com Penna tendo em vista que o modelo atual de produção de conhecimento é novo quando comparado com outras expressões culturais e formas de conhecimentos como, por exemplo, a arte e a mitologia.

E claro que a arte e a mitologia são meios que transcendem a forma empírica de produção cientifica de conhecimento, porém, apontam para realidades mais profundas e talvez mais humanas do que o modelo que faz do ser humano quase que uma maquina ainda que biológica como a ciência moderna parece tentar nos convencer.

Quando defrontado com a arte tendo em vista seu caráter totalmente transcendente, visto ser fruto de inspiração, a ciência talvez devesse se curvar de seu pedestal. Diante da “Mulher de Azul” de Modigliani, como um homem glutão que é humilhado quando exposto ao poder de um pudim, talvez a ciência encontrasse uma forma mais honrosa admitindo o valor de outras formas de conhecimento humano, sabendo que não adianta fechar os olhos como faz uma criança birrenta, na expectativa de não ser vista.

Seguindo a trilha da arte para demonstrar a importância e a profundidade de aspectos humanos do conhecimento para os quais a ciência escolheu aparentemente fechar a porta. Abordaremos como exemplo o quadro da renomada artista mexicana Frida Kahlo, denominado Árvore da esperança, mantêm-te firme.

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Neste quadro acontece uma avalanche de sensações e informações que estão diretamente ligadas à vasta utilização de símbolos, cores e formas que fluem do pincel da artista e que nos ensinam muito sobre seu tempo, seu povo, suas experiências e a alma humana.

Quando pousamos nosso olhar diante de uma obra de arte como esta citada acima. Surge como uma tsunami, uma forma especial de conhecimento. E fica inegável sua contribuição para a vida humana como um todo.

A primeira informação que nos salta aos olhos, quando nos deparamos com esta obra, esta implícita no conjunto que a compõe. Trata-se da capacidade de expressão humana a qual denominamos inspiração. A inspiração é algo transcendente inexplicável de forma empírica e imanente, porém, real e inegável.

Fica evidente ao contemplarmos o quadro de forma ainda geral que, algo que esta para alem das explicações técnicas e cientificas estão expressas como forma de produção de conhecimento humano, com o qual, qualquer pessoa, por mais simples que seja, pode ter acesso e encontrar sentido e conhecimentos relevantes sobre gente e tantas outras coisas. E isto a partir desta obra, nas informações nela contidas, e também nas emoções que ela provoca.

A arte é sempre inspiração, por esta razão podemos afirmar que a arte transcendente não pode ser explicada a partir de uma técnica imanente, contudo, ainda que não possa ser explicada de forma cientifica, seria um absurdo negar o caráter transcendente da inspiração enquanto forma de conhecimento.

É por esta razão que toda arte domina uma técnica, porem, nenhuma técnica domina uma arte. Sendo assim fica claro que a singularidade da arte esta na inspiração, por isto Picasso é Picasso, Van Gogh é Van Gogh e Modigliani é Modigliani, e uma pessoa que aprendeu a dominar as técnicas destes artistas, é apenas uma pessoa que domina uma técnica.

E ainda que seja um excelente falsário, ou um magnífico copista, jamais será um deles. A menos que receba uma inspiração que o torne significativo e expressivo a ponto de ser reconhecido como ele mesmo, caso contrário, continuará sendo apenas uma pessoa que domina uma técnica, poderá ate ensinar a técnica de Van Gogh, mas jamais poderá ensinar alguém a ser um artista como Van Gogh foi.

Com isto, fica evidente ao menos para mim que, negar uma forma de expressão que conduz a um conhecimento, simplesmente porque não sabemos como a explicar, é no mínimo soberba. E ainda que nos últimos três séculos a ciência tenha evoluiu e muito, o que as pessoas continuam lotando pelo mundo todo de forma livre e prazerosa são os museus, as salas de cinema, os teatros, os grandes concertos, e isto é feito, não para contemplar artigos científicos e sim as artes, das mais variadas formas de expressão.


version 4/s/artes e ideias// @obvious, @obvioushp //Alexandre Chaves