Fábio Jorge

Não sou daqui nem sou de lá, eu sou de qualquer lugar.
Meu passaporte é espacial, sou cidadão da terra

a maldade dentro ou fora?

"Oculus" não inicia e termina te assustando o tempo todo. Nem precisa.


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Mike Flanagan dirige e escreve esse filme "barato" no melhor sentido da palavra. Custou US$5mi aos estúdios associados (Relativity Media, Intrepid Pictures dentre outros) faturando US$12mi só no final de semana de estreia nos EUA em abril de 2014, de acordo com o IMDB. Nada mal para quem está acostumado a realizações um tanto despercebidas - como o curta metragem homônimo que baseou este longa - e a escrever roteiros de seriados norte-americanos como "Hot In Cleveland" e "Most Daring".

"Oculus" não inicia e termina te assustando o tempo todo. Nem precisa. Os efeitos convencem, a estória contada em flashback é envolvente, porém certas passagens são mais interessantes que outras (tornando o filme um tanto irregular), situação reflexo de um roteiro bem mais essencialmente inteligente que superficialmente entertainer.

O espelho é inerte, estático e meramente limita-se a refletir o que existe (ou não). Do alto de sua rigidez, sugere-se que há nele uma forte energia destruidora de toda a parcimônia que (geralmente) reveste nossas ações. Tal força libera o que há de mais bruto, selvagem e inflamado dentro de alguém. Porém, vale a pena a reflexão (atenção para o trocadilho): essa energia "vive" no espelho? É por ele refletida? Como foi parar lá?

A dualidade reside dentro de cada um e a peça decorativa nada mais é que um canal de liberação dessas emoções contidas, guardadas no inconsciente subjetivo. Tanto é que os personagens verificam o que de fato aconteceu (longe das confusões alucinógenas) através de câmeras de vídeo e telas de celular - meros reprodutores da realidade, diferente do espelho que reflete a si mesmo. O que você enxerga ao olhar para aquele objeto inanimado dependerá da sua essência ou da força maligna manipuladora que a protagonista Kaylie acredita piamente existir?

Eis o desafio pensante de “Oculus”.


Fábio Jorge

Não sou daqui nem sou de lá, eu sou de qualquer lugar. Meu passaporte é espacial, sou cidadão da terra.
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