mais uma voz

Passeia entre palavras, transparências de aquarela e cotidianos

Ketllyn Fernandes

Jornalista por formação. Artesã e artista plástica por sina. Sobrevivente das intempéries da vida e ávida por seus desdobramentos. Inquieta-se com injustiças. Fala sobre o belo, sobre o feio e sobre a necessidade de pensar a vida.

Viva Frida e a leveza de sê-la

A nostalgia de poder imaginar a existência de Frida Kahlo pelas mãos de dois artistas que, encantados pela essência da artista, lhe deram vida em ilustrações e bonecos de stopmotion. Divaguem. Sintam. Alegrem-se.


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Há 108 anos nascia Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon, nossa Frida Kahlo. Ela morreu em 1954, 34 antes do meu nascimento, e eis me aqui com tamanha intimidade em chamá-la de minha, de sua, de nossa Frida. Isso porque essa mulher, sua vida e sua arte foram e têm sido capazes de transpor as barreiras do tempo, do preconceito, das mais diversas culturas e nacionalidades. A artista chegou a desfrutar em vida de parte do reconhecimento de que sua pintura provocou à sociedade da época. Apesar das limitações causadas pelas constantes e insuportáveis dores corporais, saiu da casa azul em que cresceu e viveu, no México, para as badaladas Nova York e Paris. Retornou ao seu país da mesma forma em que acabou nos braços de seu grande amor, o também artista Diego Rivera: autêntica, inteira, provocadora e artista de corpo e alma. Ele, talvez, tenha sido o primeiro a prever que a vida e a obra de sua amada entrariam para a História mexicana e das Artes Plásticas como um todo.

Mas não pretendo aqui reescrever os fatos marcantes da trajetória de Frida Kahlo (uma busca rápida na internet e se tem isso). Quero, tão somente, ser mais uma a exaltar suas cores, sua presença marcante na busca pela liberdade das mulheres e sua força enquanto ser humano criativo, inventivo, inspirador e sofredor. A sintonia é tamanha que consigo me recordar até mesmo da primeira vez que ouvi o nome Frida, lá pelos 10 anos de idade, na canção Esquadros, de Adriana Calcanhoto. Eu sonhava em ser artista plástica, ouvi a palavra cores e logo veio a curiosidade de saber quem ou o que era "Frida". "Por que 'cores de Frida'"? "Seriam cores diferentes?", indagava-me em meu mundo infantil em tempos que o acesso à internet no interior do país era algo tão surreal quanto suas pinturas.

Quero, sobretudo, compartilhar neste espaço a beleza que descobri ao conhecer o trabalho de duas pessoas que, como eu – e mais meio mundo –, são deslumbradas pela existência dessa mulher: o escritor e ilustrador Yuyi Morales e a fotógrafa Tim O’Meara, que criaram o livro Viva Frida, cujo making of divulgado no YouTube (assista abaixo) me fez senti-la de fato viva, como, acredito, ela tenha sido e ainda o seja. Falo desta presença da artista na atualidade devido às incontáveis releituras de suas imagens e autorretratos produzidos por artistas mundo afora. Eu mesma fiz cinco “Fridas” em aquarela embalada pela fonte de inspiração de seu rosto, suas sobrancelhas, seus cabelos, suas flores e suas roupas (foto abaixo). Tenho uma ilustração dela na sala de casa e uma blusa com seu rosto. Gosto da extravagância com que se vestia e pintava a face, a tela, a família, a dor... O melhor disto tudo é que Frida segue ainda à frente do nosso tempo, o que reforça sua imortalidade e singularidade em meio ao ser plural que foi.

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É com sentimento de encanto que assisti a essas imagens que me fizeram mergulhar no provável universo que abrigou Frida Kahlo, que em meio às cores das flores flutua leve, contrapondo todo o peso de viver com as mais terríveis dores físicas e mentais. O livro “Viva Frida” é composto por fotografias dos bonecos de stopmotion, que junto a ilustrações transbordam leveza. A própria confecção das miniaturas da artista remetem ao que foi sua vida, quando, por exemplo, é mostrada a base de sustentação para o corpo do stopmotion sobre o esboço dela no papel, lembrando sua coluna de metal, retratada em uma de suas obras. No mais, que Frida continue a ser festejada como o foi em mais este livro sobre sua estada neste mundo (e para o qual ela não pretende retornar, como deixou claro em seu diário). Então, Viva Frida!

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Ketllyn Fernandes

Jornalista por formação. Artesã e artista plástica por sina. Sobrevivente das intempéries da vida e ávida por seus desdobramentos. Inquieta-se com injustiças. Fala sobre o belo, sobre o feio e sobre a necessidade de pensar a vida. .
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