mãos de vênus

Cadernos secretos rabiscados e páginas selvagens batidas à máquina

Julian Nix

Sangue de poeta

Não é muito comum ter algum poeta na família, imagina então uma família de poetas. Alphonsus de Guimaraens, matriz do simbolismo brasileiro, é também matriz de várias gerações de poetas brasileiros


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O parnasianismo floresceu longe da França com um fôlego considerável em terras tupiniquins a ponto de sufocar o nosso simbolismo. Posto às vezes à margem da cultura tida como oficial, sendo até chamado de mero “produto de importação”, escondeu-se, na penumbra de seus versos, nomes importantes como o baiano Pedro Kilkerry, o gaúcho Eduardo Guimaraens, e os paranaenses Emiliano Perneta e Dario Veloso. Entre os poetas que nadaram sobre esse chão duro de parnaso três nomes se destacaram: Augusto dos Anjos é um caso à parte, se destacou como o poeta do hediondo, causando estranheza pela forma e pelos assuntos abordados, bem ao estilo do português José Duro. Cruz e Souza, que é reconhecidamente o maior representante e Alphonsus de Guimaraens. Esse último continua fazendo história.

Além dos versos de simples musicalidade, terna e contemplativa e que exibem marcas profundas da liturgia católica, Alphonsus de Guimaraens, que foi chamado de poeta lunar em contraposição a Cruz e Souza, o poeta solar, é um dos pilares de uma geração de escritores que fazem do nome Guimaraens uma assinatura literária transportada pelo sangue de geração para geração.

BERNARDO GUIMARÃES (Ouro Preto, MG, 1825 –1884) Poeta do ultrarromantismo que se destacou mais pela prosa de caráter regionalista como O seminarista (1872) e A escrava Isaura (1875), novelas sertanejas do qual Bernardo foi o pioneiro. Era tio-avô do poeta simbolista.
ALPHONSUS DE GUIMARAENS
(Ouro Preto, MG, 1870 – Mariana, MG, 1921) Como visto foi, ao lado de Cruz e Souza, poeta fundamental do simbolismo brasileiro tendo entre seus principais livros: Septenário das Dores de Nossa Senhora (1899), Dona Mística (1899) e Kyriale (1902).
ALPHONSUS DE GUIMARAENS FILHO
(Mariana, MG, 1918 – Rio de Janeiro, RJ, 2008) filho de Alphonsus de Guimaraens, situado na terceira geração do modernismo brasileiro, recebeu o prêmio Jabuti em 1985 pelo livro Nó. Publicando entre outros os livros Poesias (1946), A cidade do sul (1948) e Absurda fábula (1973).
JOÃO ALPHONSUS DE GUIMARAENS
(Conceição do Mato Dentro, MG, 1901 – Belo Horizonte, MG, 1944) Também filho de Alphonsus de Guimaraens, foi contista e também poeta do modernismo, tendo participação no grupo do Diário de Minas, que contava, entre outros, com Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava.
AFONSO HENRIQUES NETO
(Belo Horizonte, MG, 1944) Filho de Alphonsus de Guimaraens Filho, atualizando o sangue da família para a poesia vanguardista é o poeta das coisas não poéticas. Se destacou pela participou na coletânea 26 poetas hoje, organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Uma reunião de poetas que já passaram à história como a geração mimeógrafo. Produtores de poesia marginal. Publicou 12 livros, sendo o último em 2015, A outra morte de Alberto Caeiro, onde dialoga com a poesia do mestre Fernando Pessoa.


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