mapas do acaso

Infinitas maneiras de como o possível pode vir a ser.

Tiago Júlio Martins

Um desbravador de paisagens interiores que já viu de tudo um pouco. Sonha em ser um grande escritor e em transformar caminhos através de palavras. Tem fé no acaso e acredita somente na dúvida.

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    Carta ao meu futuro novo amor

    Um ode à força da união germinando entre duas pessoas. Uma carta do passado a alguém que, provavelmente, não conheço e que, um dia, vai me ler e sentir, talvez, que realmente deveria estar comigo. Palavras enlatadas em uma cápsula do tempo para que fortifiquem laços que estarão se formando na base do deslumbramento da paixão. Uma oração para que o amor nasça livre por direito.

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    Her: sobre o afeto no digital

    Como pode alguém pode amar tanto algo que, em essência, não é real, não existe de fato? No plot de “Her” (2014), que se passa num futuro próximo, Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor que se apaixona por Samantha (voz de Scarlett Johansson), uma inteligência artificial criada, inicialmente, para atender suas necessidades profissionais. Lembro de ter me emocionado bastante quando assisti ao filme do diretor Spike Jonze pela primeira vez. Eu estava saindo de um relacionamento complicado (ou melhor, que eu compliquei) e a trama me atingiu em cheio. Nos últimos tempos, tenho pensado bastante nos temas centrais da história: a fragilidade dos laços na sociedade contemporânea, a virtualização das relações afetivas, a idealização do amor em meio a expectativas que não se concretizam, a indiferença e a individualização coletivas em meio ao caos urbano: um caos que, mesmo higienizado, nos causa claustrofobia pelo excesso de pessoas e informações.

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    TARDIS: A loucura tem um lado bom

    Quando criança, eu criei um sistema simples de código em que as consoantes e vogais do texto eram substituídas por formas e traços geométricos. Naquela idade, eu achava que minhas histórias eram especiais demais pra serem compartilhadas. Elas iriam ser decifradas e me tornariam famoso anos mais tarde. Criei uma falsa aura de espetáculo em cima daquelas bobagens cujos enredos já saíram da minha memória. Agora, uns 13 anos depois, estou perto de lançar meu primeiro livro e, com ele, uma boa parte de mim vai ser exposta, avaliada, julgada, apreciada e criticada. Ainda que as proporções sejam improváveis, me sinto ainda como aquele menino inseguro com suas letras pré-fabricadas e o desejo ingênuo de conquistar o mundo.

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    A vida privada e a vida contada

    Até que ponto as histórias que vivemos são apenas nossas? Será que, ao invés de manter o monopólio, possuímos apenas a guarda compartilhada das nossas vivências? As pessoas que participaram e passaram pela nossa vida não têm tanto direito sobre nossas memórias quanto nós? Não é justo creditar a co-autoria de fatos que não foram criados exclusivamente pela gente? Em uma autobiografia, o quanto é honesto encarar o que é dito pelo autor por uma perspectiva unilateral, ainda que não haja outros pontos de vista na história? Eu escrevi um romance autobiográfico e tenho ciência de que ele não é só meu.

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    Depressão é o inverno da alma

    Tenho depressão desde que me entendo por gente. Em grau mais ou menos moderado, durante anos, a doença sempre me acompanhou e me ensinou, às vezes na marra, a lidar com ela e com suas imposições. Aprendi tão bem que, por vezes, esqueço que tenho Transtorno Bipolar e depressão, levando uma vida normal. Este texto visa uma abordagem pessoal a respeito de quadros críticos de depressão e suas respectivas características. Não são peças a serem encaixadas em momentos brandos, mas em situações de crise, quando perdemos o chão e a doença parece intransponível. No mais, uma oportunidade de se reconhecer e se identificar para atenuar um dos piores aspectos da depressão: a sensação de estar sozinho e incompreendido.

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    Escrever sempre e mais um pouco

    Escrevo por necessidade física. Escrevo para não enlouquecer. Escrevo para me descobrir, para interagir com o mundo. Numa sociedade em que todos tivessem este hábito, como seriam as relações? O que aprenderíamos se, por constância, tivéssemos um contato mais íntimo com nós mesmos?

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    Caio F. e a poesia que não acaba

    Há justiça na popularidade de Caio Fernando Abreu. Cultuado por um número significativo de pessoas nas mídias sociais, o artista gaúcho é responsável por uma obra intensa, cativante, que provoca e instiga. Para uma geração de escritores, Caio F. é uma referência direta e motivo de admiração e carinho, mesmo mais de 20 anos depois de sua morte.

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    A necessidade de respeitar o invisível

    Se tivéssemos como prever o futuro e intuir as consequências das nossas escolhas, a vida, ainda assim, teria a mesma graça? Seriam tão emocionantes as experiências recém-descobertas se elas nos fossem totalmente inteligíveis, desde antes de acontecerem? O que perderíamos se nos fosse privada a capacidade de errar?

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    O poder da Força

    Star Wars é mais que apenas uma série cinematográfica de seis filmes. Com um universo próprio e milhões de fãs, a saga idealizada por George Lucas ganhou status de ícone da cultura pop e se tornou uma franquia transmidiática multimilionária. Com a expectativa para chegada do primeiro filme da nova trilogia, "Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força", admiradores de todo o mundo estão na contagem regressiva para a nova imersão numa galáxia muito, muito distante. E, independente do resultado final, a experiência já começou. O hype contagiou a (quase) todos e agora, com corações abertos, estamos todos dispostos a receber e aplaudir um novo clássico.

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    A discussão política resumida à torcida de futebol: o porquê de não avançarmos

    Nunca na história da sociedade moderna o acesso à informação esteve tão democratizado e, guardadas as especificidades socioeconômicas dos estados, uniformemente distribuído. Conhecimentos, antes relegados a grossos livros escondidos em prateleiras mofadas ou limitados a nichos acadêmicos que segregavam bens intelectuais da vida social prática, podem ser adquiridos através de rápidas pesquisas, com o mínimo de paciência e alguma boa vontade. No entanto, todo este poder está sendo de fato utilizado, em sua plenitude, para a emancipação pessoal e construção de uma coletividade mais igualitária? A web está servindo à busca pela atenuação de distorções, de todas as ordens? Ou o que vemos refletidas na internet, em termos gerais, são apenas expressões de individualidades, irreparavelmente, mais centradas em si e em suas consequentes visões de mundo, inalteráveis e autossuficientes?

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    O bloqueio como trauma pessoal

    Estamos cada vez mais interligados e subvertendo a lógica concreta do tempo e do espaço. Relações e relacionamentos tornaram-se, na contemporaneidade, práticos e ganharam nova dimensão em tempos de mensagens instantâneas viajando em fluxo contínuo. Entretanto, a mesma internet que nos aproxima e nos convida a trocas mútuas, pode nos restringir e nos afastar de alguém querido, caso seja a vontade do mesmo, nos jogando no limbo pós-bloqueio. Como recurso usado em caso extremos e atitude radical que não oferece margem para discussão, o block desfaz laços duradouros e inviabiliza retomadas. Um choque de realidade que o virtual apenas impulsiona e revela fragilidades difíceis de transpor.

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    O amor, sobretudo, o amor

    O amor é um cordeiro oferecido ao sacrifício em troca de perdão. O amor é a prova irrefutável de que existe mágica e de que há mistérios que devem ser apenas contemplados. O amor é uma vertigem que dá quando estamos muito felizes. O amor não cabe aqui, nem nele ou em mim. O amor transcende palavras, gestos e fatos. Eu sou só um sujeito ateu que não consegue deixar de reconhecer que o amor é um milagre.

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    A arte do encontro em `Antes do Amanhecer`

    Eu, desde cedo, sou intrigado pela força do acaso e pela sua capacidade de definir o rumo de caminhos imprevisivelmente. Penso, sobretudo, em como encontros aleatórios carregam, em sua essência, o ímpeto de transpor casualidades e desvirtuar lógicas. Em “Antes do Amanhecer” (1995), filme do diretor Richard Linklater, o potencial dos grandes encontros é explorado em toda sua completude. Uma linda história de amor que, como as lindas histórias de amor, nasce da complexidade de coincidências que fogem do óbvio.

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    O que eu aprendi com a loucura.

    Eu já enlouqueci. Literalmente, enlouqueci. Duas vezes. Surtos psicóticos que me levaram às minhas fantasias mais secretas através de delírios absurdos. No total, devo ter ficado cerca de três semanas sem noção alguma do que era ou não real. Atravessei buracos negros, viajei no tempo, mudei de dimensão, saí da Matrix, morri, reencarnei, fui fantasma, robô, anjo, extraterrestre, elfo, Jesus, Deus. Enfrentei medos obscuros. Chorei de desespero, de agonia, de dor. Tentei me matar. Preocupei e magoei pessoas queridas. Foi apavorante, perturbador e autodestrutivo. Mas, apesar de tudo isso, foi bom também.

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    O ímpeto de falar mais alto: um jogo perigoso.

    Vivemos na era da monetização do self, da venda da projeção da imagem, da monetização da privacidade. Opiniões, discursos e posicionamentos reverberam por todos os cantos da web formando uma sobreposição de vozes que disputam ouvidos cada vez mais fadigados de informação. Para muitos, sobressair em meio ao barulho e, de algum modo, destacar seu conteúdo em meio ao caos é mais importante que conseguir estabilidade financeira e se condicionar a um emprego dito tradicional. A fama, ainda que mínima, é sedutora, assim como as curtidas e compartilhamentos. Todos têm espaços para se expor. No entanto, investir tempo e disposição para fazer seu espaço pessoal crescer a ponto de ter múltiplas interseções é se submeter a um jogo arriscado. No meio de tanta gente, os critérios que definem quem repercute ou não nem sempre são justos.

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