mapas do acaso

Infinitas maneiras de como o possível pode vir a ser.

Tiago Júlio Martins

Um desbravador de paisagens interiores que já viu de tudo um pouco. Sonha em ser um grande escritor e em transformar caminhos através de palavras. Tem fé no acaso e acredita somente na dúvida.

O poder da Força

Star Wars é mais que apenas uma série cinematográfica de seis filmes. Com um universo próprio e milhões de fãs, a saga idealizada por George Lucas ganhou status de ícone da cultura pop e se tornou uma franquia transmidiática multimilionária. Com a expectativa para chegada do primeiro filme da nova trilogia, "Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força", admiradores de todo o mundo estão na contagem regressiva para a nova imersão numa galáxia muito, muito distante. E, independente do resultado final, a experiência já começou. O hype contagiou a (quase) todos e agora, com corações abertos, estamos todos dispostos a receber e aplaudir um novo clássico.


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Sinceramente, eu até gostaria, mas, para mim, é impossível fazer uma avaliação honesta da saga Star Wars e me desprender da bagagem afetiva que os seis filmes me deram. Meu apego emocional existe desde uma época muito feliz, em que eu brincava de ser um padawan nas ruas do meu bairro, fazendo sabres de luz com cabos de vassoura e fingindo que bicicletas eram x-wings. Quando adolescente, escrevia bobagens com frases de estruturas invertidas apenas para (tentar, em vão) imitar o mestre Yoda. Foi com Star Wars que eu me tornei aficionado por ficção científica e fantasia e pude, mais tarde, adquirir interesse por coisas, reconheço, mais complexas dentro da área, como Star Trek e Guia do Mochileiro das Galáxias, por exemplo.

É certamente reducionista resumir a proporção gigante que ganhou o universo criado por George Lucas ao fato de o primeiro filme da trilogia original, "Uma Nova Esperança", ter, reconhecidamente, revolucionado os efeitos especiais no final da década de 70. Tão pouco seria sensato atribuir o sucesso de bilheteria à aplicação irretocável da fórmula que estudiosos de cinema chamam de “jornada do herói”, que marcou toda narrativa de Luke Skywalker e influenciou, não só as sequências diretas, mas incontáveis filmes produzidos posteriormente. Star Wars é mais. Os filmes misturam elementos de clássicos de faroeste com o melhor do cinema japonês, numa mistura pop-futurista-bem-humorada cheia de referências às religiões orientais e fábulas messiânicas, tratando questões humanas profundas com uma didática totalmente inteligível. Mas, acima de tudo, Star Wars faz isso de forma despretensiosa e natural, com intuito primário apenas de divertir e emocionar, somente isso.

O anúncio de que haveria uma continuação da trilogia original, após a compra da Lucasfilm pela Disney, dividiu a percepção dos fãs. Para alguns, era um sacrilégio abrir novamente o arco dramático da saga e “ressuscitar” personagens, cujos desfechos estavam mais ou menos selados após a morte de Darth Vader e do imperador Palpatine, apenas para satisfazer claros interesses comerciais. Para outros, no entanto, os fins econômicos justificavam-se pela necessidade de explicar o que aconteceu com os remanescentes do Império e, claro, descobrir o que houve com os personagens queridos dos três episódios originais, após um lapso temporal tão grande. À medida que o lançamento do "Episódio VII: O Despertar da Força" foi se aproximando, no entanto, junto com a intensa difusão de conteúdos promocionais, as críticas de muitos que compunham o grupo dos “céticos”, pertinentes até, se diluíram em meio à empolgação dos “otimistas” e criaram uma expectativa proporcional à responsabilidade de criar um novo clássico.

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No momento em que eu escrevo este artigo, faltam exatos sete dias para a estreia de “O Despertar da Força”, primeiro filme de uma trilogia totalmente nova. Como todo fã de Star Wars, estou contando as horas e controlando os bolsos para não ir à falência comprando tudo relacionado à saga, que está sendo propagandeada, muito oportunamente, por lojas de todos os tipos. É uma ansiedade quase infantil e justificada apenas pela certeza que vou rever amigos de infância que, sei bem, podem até ter envelhecido, mas apenas por fora. Fico realmente contente de ver que todo hype em cima do novo filme está criando uma nova geração de admiradores. Também fico satisfeito vendo gente que não havia dado importância às trilogias anteriores, até então, descobrir o valor de Star Wars na preparação para a nova aventura.

Eu torço muito para não estar enganado, mas penso ser fato que, dificilmente, vou sair do cinema, no próximo dia 17 de dezembro, decepcionado com o que vou assistir. Eu não vi a trilogia clássica no cinema. Com certeza, vou me emocionar ao reencontrar de novo C3-PO, Han Solo, R2-D2, a princesa (general) Leia, Chewbacca, Luke e me empolgar com os dramas dos novos protagonistas que são contemporâneos a mim e, muito provavelmente, vão ganhar empatia de cara dos fãs. Falo isto porque está todo mundo preparando o espírito para receber com toda boa vontade o Episódio VII. Um filme, aliás, que já não é mais apenas um filme e se tornou, para bastante gente, inclusive para mim, um evento simbólico a ser compartilhado com os amigos e guardado com bastante carinho. E não importa que todo este ritual, que começou na pré-venda dos ingressos e se estenderá horas pós-filme, carregue uma euforia ingênua e seja incompreendido por quem não vê graça em batalhas espaciais e cavaleiros Jedi. Para fãs de todo o mundo, vai ser um privilégio participar do estopim de um novo tempo para Star Wars. Vamos, por direito, celebrar e viver este momento único à altura. Que a Força esteja conosco.


Tiago Júlio Martins

Um desbravador de paisagens interiores que já viu de tudo um pouco. Sonha em ser um grande escritor e em transformar caminhos através de palavras. Tem fé no acaso e acredita somente na dúvida. .
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