mapas do acaso

Infinitas maneiras de como o possível pode vir a ser.

Tiago Júlio Martins

Um desbravador de paisagens interiores que já viu de tudo um pouco. Sonha em ser um grande escritor e em transformar caminhos através de palavras. Tem fé no acaso e acredita somente na dúvida.

Carta ao meu futuro novo amor

Um ode à força da união germinando entre duas pessoas. Uma carta do passado a alguém que, provavelmente, não conheço e que, um dia, vai me ler e sentir, talvez, que realmente deveria estar comigo. Palavras enlatadas em uma cápsula do tempo para que fortifiquem laços que estarão se formando na base do deslumbramento da paixão. Uma oração para que o amor nasça livre por direito.


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Em primeiro lugar: obrigado. Obrigado por aparecer, por me reconhecer, por me olhar com o olhar enviesado e acreditar que eu sou atraente e digno de partilhar teu tempo. Estava esperando ansioso, te procurando feito tonto. Não sei se estás certa ao me querer, mas agradeço mesmo assim. Contigo, mesmo que meu ego fique um pouco inflado de orgulho besta por te ter do meu lado, sinto uma leve insegurança e um medo de não te ser interessante o suficiente. Insegurança, no entanto, está longe de ser o maior dos meus defeitos, como tu eventualmente vai descobrir. Sou preguiçoso, procrastinador, bagunceiro, comodista e confuso, além de mais outras coisas que prefiro que intuas por ti mesma, mas eu prometo que vou tentar dar o melhor de mim por ti, porque sei que tu mereces e, honestamente, espero que esteja ao meu alcance te fazer feliz.

Eu vou te escrever poemas, textos, músicas, livros, vou escrever teu nome em paredes, sonhos e nas asas de pássaros e nas placas bregas de caminhões e no meu peito. Eu vou te amar com intensidade, urgência e delicadeza, vou te beijar como adolescente e te tocar com mãos trêmulas de nervoso, como se fizesse tudo pela primeira vez. Se eu te sufocar ou parecer obsessivo ou dar mais do que tu podes retribuir, me fala, eu te ouço, eu te compreendo, eu aprendo. Prometo te fazer sentir a garota mais especial da cidade, vou falar besteiras só para te ver sorrindo e me esforçarei ao máximo para parecer mais inteligente do que eu sou para que tu te envaideça, um pouquinho, por ter alguém esperto contigo. Sim, bobagens como vaidade e ego são importantes também. Quero que te sintas plena, em êxtase, em estado de graça, porque é assim que me sinto quando me olhas fundo ou quando ris de algo idiota.

Espero que tu não te importes tanto ou tenha ciúmes demais dos meus amores antigos, conto, de verdade, com a tua maturidade emocional para isso. Eu tive a sorte de ter pessoas realmente incríveis na minha vida, com quem dividi muita coisa e, de certo modo, ainda as amo e nutro o mais profundo respeito, admiração e carinho por todas elas. Compreendo que isso pode ser muito complicado de digerir, mas pensa que eu estou contigo e quero continuar contigo no futuro, portanto, meu passado não tem tanta influência sobre a nossa relação. Eu me importo com o hoje, com o já, com o agora. O que eu sinto por ti é tão forte que suprime a vontade de ficar com quem quer que seja e, mesmo que, por ventura, haja algum desejo passageiro, ele se dissipa quando te vejo e coloco na balança tudo que posso perder com aventuras infantis.

Vamos evitar os planos a longo prazo, vamos ser maduros, prudentes, ponderados e racionais. Mas se eu te pedir em casamento, aceita. Faz de conta que vamos ficar juntos para sempre, finge que as coisas não acabam, não tem prazo de validade, não desgastam, não murcham, não esfriam, não morrem. Faz de conta que vamos morrer no mesmo ano, bem velhinhos, depois de ter construído uma família bonita, realizados, na nossa casinha com móveis retrôs e gatos vadios. Eu prometo conservar o olhar virgem a teu respeito e sempre descobrir detalhes e coisas novas para admirar, homenagear e escrever sobre. Prometo que serás sempre musa, ninfa, nereida, amazona, deusa. Vou te dar explosões, supernovas, alta voltagem, ecos de gemidos surdos. Vou fazer melhor do que eu jamais fiz e vai ser bonito sumir de desejo. Espero que tu não demores muito. Se eu já te encontrei e não vi, me faça olhar de novo, às vezes eu sou meio burro mesmo. Eu te espero com os braços abertos, o peito escancarado, a alma fértil e a cabeça, sempre doidinha, pronta pra te servir de casa. Nos vemos em breve, meu amor, sinto que falta pouco. Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais.


Tiago Júlio Martins

Um desbravador de paisagens interiores que já viu de tudo um pouco. Sonha em ser um grande escritor e em transformar caminhos através de palavras. Tem fé no acaso e acredita somente na dúvida. .
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